[Resenha] Hotel del Luna: novo drama de IU é ‘A Bela e a Fera’ com espíritos

Hotel Del Luna (2019) é um drama da tvN com um elenco incrível, sobre um hotel que abriga espíritos que morreram com arrependimentos. Quando um humano entra acidentalmente no local, ele acaba negociando o destino de seu filho (Yeo Jin Go) para poder escapar e o transforma no próximo gerente. Passado o tempo, o novo gerente deve ajudar espíritos a partirem em paz e acaba curioso com o ressentimento que mantém a alma de sua chefe temperamental (IU) ligada ao local por mais de mil anos.

PARTE TÉCNICA

O primeiro ponto a se destacar é a equipe envolvida. Os 16 episódios foram escritos pelas irmãs Hong Jung Eun e Hong Mi Ran, conhecidas por trabalhos muito elogiados, como “Uma Odisséia Coreana”, “The Master’s Sun”, “Minha Namorada é uma Gumiho” e “You’re Beautiful”. A direção ficou nas mãos de Oh Choong Hwan, responsável por “While You Were Sleeping” e “My Love From Another Star”.

Participações especiais

No elenco, temos dois queridos da Coreia como protagonistas (IU e Yeo Jin Goo), além de dois idols (P.O, do Block B, e Kang Mina, do Gugudan, ex-IOI) e os veteranos Shin Jung Keun (inúmeros trabalhos no cinema e doramas como “Pinocchio”, “Mr. Sunshine”) e Bae Hae Sun (“While You Were Sleeping” e “Hymn of Death“), além de muitos rostos conhecidos com participações menores ou especiais, como Park Yoo Na, que fez a irmã mais velha da “família da pirâmide” de “Sky Castle“, e a Sulli, do f(x).

Acabou? Não. Na trilha sonora é tiro atrás de tiro, com canções de Taeyeon, Chungha, Punch, Gummy, Red Velvet, Heize, Taeyeong do NCT, e a própria IU. As últimas vezes que levei uma esmurrada de músicas boas assim em OST foi em Scarlet Heart Ryeo e Goblin. Não é só por causa dos nomes, mas as letras são maravilhosas e a melodia invade a sua alma para você ouvir muitas vezes depois.

Além de tudo isso, para fechar a parte técnica impecável do drama, temos uma cinematografia de encher os olhos. Parece que você está assistindo a um filme bem trabalhado, como em “Mr. Sunshine”. Cada cena agrada e hipnotiza com a composição das cores, os cenários, luzes, tudo ajuda a integrar naquele universo sobrenatural com tons de Harry Potter e Goblin. O figurino nem se fala, pois chegamos a ter mais de duas trocas radicais de roupa e penteado da protagonista por episódio; cada look é marcante e dá um tom de excentricidade e imponência para as cenas.

Dito tudo isso: se removesse toda a história, seria, no mínimo, um dorama muito agradável sonora e visualmente. Na audiência ficou entre 7% e 12% nacional da AGB Nielson (um medidor de audiência coreano, como o Ibope), superando o aclamado “Arthdal Chronicles”, seu antecessor de horário.

A HISTÓRIA

A trama lembra um tipo de A Bela e A Fera às avessas, com elementos de drama histórico, na época de Goguryeo, e espíritos. Assim como a Fera, Jang Man Wol (IU) é inicialmente rancorosa, egoísta e gananciosa, e foi amaldiçoada por uma senhora a viver eternamente presa ao hotel, até que a árvore morta floresça. O problema é que o coração de Man Wol está cheio de ódio e vingança, sem espaço para permitir isso.

Já Gu Chan Seong (Yeo Jin Goo) é um aluno de Harvard bondoso que acaba refém da situação, mas descobre a verdadeira natureza da temida CEO e a ajuda em uma jornada de redenção interna, enquanto dá um propósito para a própria vida pacata e aprende a ser mais corajoso.

Ao redor disso, temos os demais funcionários do hotel, que possuem suas próprias angústias e histórias que os fizeram parar ali. Todos são explicados em pequenos núcleos paralelos e, embora nem todas tenham muito tempo para desenvolver, achei o suficiente não serem esquecidas e por não roubarem o foco principal.

Os episódios são longos,  com 1h10, alguns até mais, e você sente o peso dos minutos adicionais no início. Nos dois primeiros episódios eles começam a introduzir a trama e os personagens ainda não estão completamente desenvolvidos, fazendo parecer que será mais um drama de “caça-fantasmas”. Mas não se engane: primeiro você é introduzido ao universo, o hotel e os espíritos, mas há uma história muito melhor a ser explorada, e tudo está conectado.

Inicialmente, lembra “Master’s Sun”, no formato episódico de “monstro do dia”, o que pode afastar algumas pessoas (eu, inclusive). Porém, em cada caso específico, Gu Chan Seong e Jang Man Wol aproximam-se um pouco, mostram um pouco suas cores e nenhum dos casos só está lá para preencher espaços. Todos eles afetam os protagonistas de alguma maneira e trazem pequenos detalhes que vão construindo o passado de Wol a conta-gotas, basta prestar atenção.

O roteiro também está cheio de referências, trazendo desde lendas urbanas (um tipo de loira do banheiro do Japão, por exemplo), números de quartos do hotel com superstições de vários países (como os números 666, 13 e 4), outros dramas que os atores fizeram parte (Como “Crowned Clown”) e nomes de personagens com trocadilhos idiomáticos (Man Wol é “lua cheia”).

Esse clima sobrenatural me lembrou, muito, Goblin, quando a protagonista ajudava alguns fantasmas, mas aqui tem um tom mais caricata, com fantasmas fisicamente debilitados , sem olho, hipotérmicos… Tudo levando ao humor, mas com consistência dramática, uma narrativa agridoce. Da mesma forma, o romance implícito também tem laços e consequências do passado. É gostoso e envolvente, sem pesar.

Quando todas as peças estão reunidas, é tarde demais para não se importar com as vidas passadas e atuais dos personagens e os sentimentos de partir e dizer adeus, enquanto ouve uma voz suave cantando “Done for me…”

As atuações estão excelentes. Yeo Jin Goo conseguiu libertar-se do robô de Absolute Boyfriend com muita facilidade, trazendo um personagem nobre sem ser paspalho, enquanto IU mostra facetas múltiplas, mostrando que “Persona” foi um excelente laboratório para afastá-la do estereótipo sonífero de mocinha indefesa. Sua personagem é profunda, extremamente ácida, cínica, egoísta, caótica, calculista e fria, mas, ao mesmo tempo, intensa, apaixonada, magnética, que faz o certo por linhas confusas.

Ela traz um pouco da arrogância da Cindy, de “Producers”, com a sofrência da Hae Soo, de Scarlet Heart. O carisma e aparência impecáveis da atriz a tornam ainda mais sobrenatural e, sozinha, consegue ser um motivo bom para assitir à série, mas, felizmente, está cercada de outros bons personagens e motivos.

Os demais funcionários do hotel também são desenvolvidos e possuem relações belas de carinho e amizade. Para mim, a personagem de Bae Hae Sun tem uma das relações mais lindas com a protagonista – se pararmos para pensar, elas são como mãe e filha e após assistir ao dorama você vai entender o peso dessa conclusão. Outro grande destaque fica para Mina e P.O., que formam um casal adorável, com uma relação de cuidado e personalidade complementares que me fizeram querer ver mais.

O ponto em comum é que todos evoluem de alguma forma, chegando a um ápice sem precisar desviar-se muito. Há um filler bem específico, mas mesmo ele traz algum desenvolvimento. Nada parece perdido e os fantasmas têm pequenas histórias que fazem pensar.

O final pode desagradar algumas pessoas, mas eu consegui entender a mensagem de forma positiva. Assistiria novamente, com a mesma emoção e recomendo muito para qualquer um que tenha gostado de algum dos dramas citados acima ou do mangá xxx Holic.

Hotel del Luna foi um dorama que comecei a ver com certo preconceito e terminei chorando em todas as cenas dos últimos episódios. Tem suas pequenas falhas, mas o conjunto, para mim, foi muito envolvente e satisfatório.

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