Resenhas de Kdrama

[Resenha] O Palhaço Coroado: romance insosso e forte trama política em dorama histórico

The Crowned Crown, ou O Palhaço Coroado, é uma história simples: um palhaço troca de lugar com o rei louco e assume sua vida. Seus 16 episódios estão na Netflix e no Viki.

A história é um remake do filme de 2012 “Masquerade” e apesar de seguir uma linha bastante clichê de “o príncipe e o plebeu” trocando de lado, seu peso político é denso e enriquece a trama, tornando-a mais encorpada do que histórias do tipo. A diretora é Kim Hee Wok, que trabalhou em Vincenzo. O roteiro é de Kim Sun Deok (de Hometown Cha-Cha-Cha) e Shin Ha Eun.

O palco da história é de Yeo Jin Goo, apresentador do survival show Girls Planet 999, antigo ator mirim querido em A Lua Que Abraça o Sol, foi robô em Absolute Boyfriend, par da IU em Hotel del Luna e principal no aclamado Além do Mal. Aqui dá para ver seu trabalho como ator crescendo e ele tem um momento marcante na pele do rei original na cena da praia. Como palhaço, convence também por seu jeito de bom moço, sempre justo e até ingênuo. O personagem chega a flertar com um lado mais cinzento do poder, mas o roteiro não aprofunda nesse caminho e vai para uma linha mais leve. Mesmo assim, o ator entrega as duas facetas diferentes entre si e causa curiosidade para a imersão no personagem em uma promessa de fusão.

A mocinha é a Lee Se Young, de Odisseia Coreana, Memorist e Kairos. A personagem é chamada de “Rainha do Gelo”, mas é mais uma “Rainha sem Sal”. Dentro das limitações da rainha, a atriz passa as emoções reprimidas e em algum momento, ameaçada profundamente em sua dignidade, seu desenvolvimento chega a avançar, mas a série recua junto com ele. As virtudes da rainha são o que tornam o romance proibido e poderiam funcionar melhor com uma contraparte mais enérgica. No entanto, como ambos possuem o mesmo tipo de aura, o romance é a parte de ritmo mais fraca do dorama.

@liftedblise

O romance insosso

Quem vem pela história política pode e muito provavelmente vai ficar incomodado com o romance bem água com açúcar, e quem está em busca de um romance dramático e intenso que uma história sageuk costuma proporcionar pode não achar o casal forte o suficiente. Quem só quer uma comédia romântica pode ver a “comédia” passar longe. Enfim… é um romancezinho bem suave, que demora para engrenar, inocente e delicado, com alguns pontos de charme, mas falta química e tensão sublimada, que poderia mudar a energia da série. Por esse motivo, o tempo de cena dedicado ao casal pode ser exaustivo e passar lentamente.

Mesmo se você acabar gostando do casal, se está procurando uma história de amor, ainda assim eu não diria que esta é uma série para você, porque tem muita política, dança de cadeiras no poder e talvez o casal não compense tudo isso. Já se você está atrás de uma trama que realmente aborda os ônus do poder, pode ser que você queira pular as cenas do casalzinho. Como a história veio de um filme, dá para entender como um formato episódico desgasta mais a imagem.

Personagens secundários, pontos de vista e o final preguiçoso

Tirando o Yeo Jin Goo, quem brilha mesmo na série é o secretário interpretado pelo Kim Sang Kyung (Snow Flower e Racket Boys), a mente estrategista por trás do reino e que conduz todas as ações inteligentes. A relação de equilíbrio de razão e emoção é mais interessante do que o romance muitas vezes.

O elenco de apoio é bem talentoso, incluindo o eunuco fofinho do Jang Gwang (Nokdu Flower, About Time, Odisseia Coreana), que tem uma figura paternal adorável, a irmã do palhaço, Shin Soo Yeon (Mr. Sunshine, O Mundo dos Casados, Healer), e seu amigo, Yoon Kyung Ho (Itaewon Class, Goblin). A rainha viúva, Jang Young Nam (Tudo Bem Não Ser Normal), o ministro da esquerda, Kwon Hae Hyo (DP), a cortesã, Jung Hye Young (O Livro da Família Gu)… Realmente um elenco que dá peso para as cenas dramáticas e que acaba subutilizado ou com um desfecho que demonstra uma falta de capricho com histórias que incrementariam os episódios se melhor exploradas e que apesar de tocar o espectador, não ganham a devida recompensa mesmo com o esforço dos atores.

A ironia dessa falta de cuidado com os secundários é que uma das boas características de O Palhaço Coroado são justamente os pontos de vista de personagens. Por exemplo, mesmo uma grande vilã como a rainha viúva tem seus motivos para agir e, convenhamos, a perda que ela sofreu não foi brincadeira. Essa vitória momentanea que alguns personagens conseguem com gostinho de vingança rende boas reviravoltas e alguns episódios muito bons lá por volta do episódio 7 ao 12.

Infelizmente, o desfecho da história é caótico e acontece uma série de trapalhadas no último episódio na tentativa de deixar misterioso e aberto. Poderiam ter seguido a linha da fantasia e da interpretação livre dos acontecimentos, mas o desfecho de vários personagens queridos deixa a desejar e até causa uma sensação de perda de tempo. “É sério que eu assisti tudo isso para depois acontecer aquilo e acabou?”. Bom, é. Me senti a própria palhaça vendo.

O Palhaço Coroado faz escolhas no final simplesmente para chocar e acaba sensacionalista, não condizente com os bons momentos que proporcionou. Isso não diminui a metade da série, que tem grandes cenas sombrias e emocionantes, mas o ritmo arrastado, o romance aguado e as escolhas que apenas flertam com a ousadia para cair em um desfecho que não vai para lugar nenhum me fazem acreditar que ainda vão remontar essa história e aproveitar seus pontos fortes de um jeito mais caprichado no futuro.

Que só saber o spoiler do final? Selecione a caixa:

O secretário morre para acabar com a rebelião, o rei aposenta e elege um sucessor que aparece só no último episódio, o eunuco é promovido a eunuco chefe (apesar de querer sair do palácio com ele) para ajudar o próximo rei. Enquanto está voltando para casa em uma nova vida, ninjas vindo do nada atacam Ha Sun e seu guarda com flechas. O guarda morre. A ex-rainha chora e um dia encontra uma pista de que na verdade o Hasun está vivo. Os dois se encontram no meio de um campo e andam juntos. Isso vira uma lenda. Fim.

Nota:

Avaliação: 3.5 de 5.

O que ver a seguir?

Honestamente, acho A Lua que Abraça o Sol bastante intensa, dramática e sombria, mas mais alucinante, cheia de altos e baixos. O Yeo Jin Goo fez parte dos primeiros episódios, na versão jovem do rei.

Um romance mais conturbado e apaixonante em um triângulo amoroso entre um rei louco, seu irmão e uma mocinha boazinha, mas mais envolvente é Rainha por Sete Dias.

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