[Resenha] Sky Castle: melhor dorama do ano tem mulheres poderosíssimas

We all lie… Tell you the truth….

Se você conseguir ficar sem essa música icônica na cabeça, eu lhe ofereço um prêmio. Além da OST, SKY Castle tem, sem dúvidas, personagens marcantes e uma trama espetacular que, com certeza, será referência por nos próximos anos. Parece pretensioso? O dorama da JTBC de 2018 que teve um fim em fevereiro de 2019 ganhou paródias e comentários de idols em todo canto (Taeyeon, RM, Seulgi, Doyoung, Key, Epik High, Dino, Jinwoo…) e não foi à toa. Ele também deverá estrear no Netflix (esperamos que venha para o catálogo brasileiro também).

Por que esse drama de 20 episódios aparentemente simples ganhou uma cavalar popularidade? Vou tentar explicar e convencê-lo a assistir, começando pela premissa. SKY Castle é um condomínio exclusivo para doutores e professores VIP, construído pelo primeiro presidente da prestigiosa Universidade Joo Nam e seus residentes são ricaços completamente obcecados em dar sequência ao legado e colocar seus filhos na melhor faculdade, recorrendo a cursinhos e renomados caríssimos tutores particulares. Para tal, os pais fazem verdadeiras loucuras pensando em colocar seus filhos em primeiro lugar nos rankings, recorrendo a cursinhos após as aulas extensas, práticas de estudo com cronômetro, pressão psicológica e um vale tudo para ser o número um e exibir seus filhos para os outros pais.

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O drama gira em torno de cinco famílias e uma tutora particular. Todos são pais e administram a vida de seus filhos de maneira completamente distinta uma da outra. A beleza de SKY Castle começa com a personalidade única e brilhante de cada uma das mulheres que encabeçam os núcleos e o que podemos aprender com elas.

Han Seo Jin (Yum Jung Ah) é uma mulher gananciosa e obcecada, que só pensa em obter o sucesso – e é a mulher mais poderosa do condomínio, possuindo uma família impecável. Seu passado é misterioso e construído na base de mentiras, que a tornam tão vulnerável quanto o que ela critica. Ela sofre nas mãos da sogra e aprendeu que somente o status de uma pessoa faz com que ela ganhe sucesso. Ela está disposta a fazer qualquer coisa para manter a integridade de sua família.

Lee Soo Im (Lee Tae Ran) é a nova moradora do complexo, que não se encaixa com a filosofia das demais, pois cuida do filho sem pressão, focada em amor, dando-lhe espaço e liberdade para fazer o que tem vontade. Sonhadora, ela parece ter uma família perfeita, mas ao chocar sua realidade com as demais, enfrentará suas próprias fragilidades e precisará de malícia para jogar no mundo de SKY Castle.

No começo, esse foi o núcleo que me agradou mais, mas, depois, perdeu um pouco a força. Eles são famosos como a “família da Pirâmide”. No Seung Hye (Yoon Se Ah) é uma dona de casa aparentemente submissa e permissiva, que assiste seus filhos serem oprimidos pela tirania do pai altamente explosivo e que só se importa com o primeiro lugar, fazendo inclusive seus gêmeos competirem entre si (mostrando o extremo que a competição pode chegar, atingindo até mesmo a própria casa). Além disso, Seung Hye sofre também na mão das outras moradoras, que a ostracizam por sua personalidade passiva e não conseguir colocá-los no topo. Porém, ela guarda uma força revolucionária dentro de si, uma das melhores surpresas da série.

Jin Jin Hee (Oh Na Ra) é uma peruona vaidosa, fofoqueira, espevitada e escandalosa que segue qualquer um que estiver no topo, mas sua própria família não se encaixa no modelo que ela se esforça para manter. É responsável pelo núcleo de comédia a princípio, mas mostra como as relações por interesse são volúveis e facilmente quebráveis. O filho dela é autor de uma das frases mais tristes do drama. “Eu gostaria de ter nascido uma xícara. ” Pois assim sua mãe o trataria com o carinho que dispõe para sua coleção de cerâmica.

Por último, Kim Joo Young (Kim Seo Hyung) é a verdadeira rainha do gelo, uma tutora implacável, objetiva, obstinada e indestrutível que está rodeada por mistérios que trazem tanto admiração quanto medo. Ela não é uma moradora do complexo, mas dita as regras indiretamente, conseguindo mexer com a vida de todas as moradoras e adjacentes sem nem ao menos interagir. Ela é o símbolo da obsessão coreana pelas notas e resultados. É a personificação da obstinação e é um mero produto de seu meio. O fascinante da série é que Joo Young, sozinha, não é uma vilã. Ela só ganha poderes por causa daqueles que a contratam e estão dispostos a fazer tudo pelo sucesso, acreditando que estão imunes às falhas dos outros. A personagem em si é complexa, incapaz de lidar com suas frustrações, sem conseguir ter um motivo da razão de sua existência que não o estudo, apesar de possuir um bem nítido. É assustador, mas real.

Por que apenas citei as mulheres? Porque elas dominam a série do começo ao fim. Tudo gira em torno delas e suas escolhas. Seus maridos possuem personalidades diferentes, mas são elas que dominam tudo. Entre os destaques masculinos estão atores de peso como Kim Byung Chul (Vilão em Goblin e senhor da loja de penhores em Mr. Sunshine), que é o ícone ‘senhor pirâmide’, Jung Joon Ho e Choi Won Young (While You Were Sleeping e secretário em Kill Me, Heal Me).

Além disso, os filhos (principalmente AS filhas) dão um show de interpretação (Chani, do SF9 foi uma grande surpresa), destacando aqui o núcleo da família Kang: Ye Bin (Lee Ji Won), Ye Seo (Kim Hye Yoon), e a rival Kim Hye Na (Kim Bo Ra).

É difícil falar sobre SKY Castle, que tem 20 episódios tão intensos, sem soltar spoilers ou um texto gigantesco. Por isso mesmo, reforço que a maior qualidade da série é a evolução constante dos personagens. Ao fim da trama, você se pega comparando cada um (e não é um exagero) deles e descobre que todos cresceram e estão melhores e coerentes com todos os acontecimentos. Tudo o que foi feito pelos personagens volta para eles de forma deliciosa. É recompensador.

Sem precisar de recursos para enrolar revelação de segredos (o dorama parece uma metralhadora, disparando e resolvendo questões explosivas uma atrás da outra, mas sem nunca parecer corrido ou sem contexto), SKY Castle traz muita realidade e verossimilhança para a tela. Sabe aquele segredo de novela que ninguém pode saber e fica para o último episódios? SKY Castle esfrega na sua cara a resolução em dois episódios e ainda tem fôlego para mais. Quer saber se vai gostar? Assista apenas ao primeiro episódio até o fim. Se não ficar curioso, pode desistir.

O drama também não precisa de nenhum romance forçado ou comédia pastelão. Na verdade, há sim algumas cenas de humor (mais especificamente, eu diria uma que envolve todo o elenco de adulto e outra a família da pirâmide) que causam uma certa estranheza e beiram a vergonha alheia. Porém, não contamina o clima geral da série, nem alivia a tensão do episódio, mas usado como uma sátira constante ao sistema educacional coreano, escancarando a hipocrisia de uma cultura focada em objetivos e resultados.

O ritmo é incrível e invejável. Muitos kdramas não conseguem manter nem 16, mas SKY Castle fecha 20 com a mesma empolgação do primeiro. O final é corajoso, pois poderia acabar no episódio 19, mas resolve lhe dizer o que acontece depois, mas só até certo ponto – na minha visão, mais uma crítica à cultura de objetivos, pois não interessa o que foi alcançado, mas os desfechos pessoais.

Achei completamente satisfatória a experiência e, por isso mesmo, dei um redondinho DEZ no My Drama List. Há alguns pontos que me incomodaram um pouco, como o desenvolvimento da família da pirâmide em dado momento, pois acho que forçaram demais um lado, mas como havia um balanço com as demais, pude passar por isso. Esse mesmo desenvolvimento que pendeu para um lado só foi replicado no final, o que me desagradou na mensagem até um pouco irresponsável, mas considerando a crítica que eles querem fazer, achei válido.

SKY Castle vale do começo ao fim e é um daqueles doramas que você sente que cinco episódios aconteceram em um só e te fazem querer ver ansiosamente o próximo. Rompendo vários clichês e trabalhando com verossimilhança outros, é um baita novelão que levanta reflexões relevantes: o que é importante para você? Honra, beleza, dinheiro? Até que ponto vale abrir mão de seus desejos para seguir o padrão? Por que você faz o que faz? O que te faz feliz? Até onde está disposto a ir por um objetivo?

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