[Resenha] Tudo Bem, Isso é Amor: para quem gostou de Tudo Bem Não ser Normal

It’s Okay, That’s Love é um “romance psiquiátrico”, um drama completamente composto por personagens com algum distúrbio psicológico. Tendo ao todo 16 episódios, foi exibido em 2014 pela SBS, e parece uma espécie de primo mais velho da série de 2020 Tudo Bem Não ser Normal.

Tudo começa quando o DJ boêmio cheio de manias (Zo In Sung, o nosso charmoso protagonista de Dear My Friends e Ventos do Inverno) Jang Jaeyeol comemora seu aniversário em uma festa extravagante. O evento é tragicamente interrompido por um fugitivo que tenta matá-lo (preste atenção no gancho).

Do outro lado, uma psiquiatra com uma personalidade forte (Gong Hyo Jin, de Para Sempre Camélia) muda-se para sua nova casa dividida com outras duas pessoas, uma delas é um colega de trabalho (Sung Dong Il), que acaba tornando-se psiquiatra de um condenado da justiça. Sua vida não é nada glamorosa, e ela ainda precisa lidar com seu trauma de contato físico.

O caminho de ambos acaba se cruzando alguns anos depois, quando Jaeyeol publica um best-seller sobre um assassino, e concede uma entrevista sobre a trama, contando com a presença de uma especialista da psiquiatria, ninguém menos do que a doutora Hae Soo, que publicamente discorda da maneira que a psicopatologia do personagem foi retratada no livro. A rivalidade começa logo nos primeiros instantes e os dois não conseguem concordar em nenhum tema, envolvendo Justiça e Direitos Humanos, tendo posições completamente opostas – o escritor é conservador, e a médica é progressista – com o bônus de Jaeyeol fazendo várias piadinhas machistas para desacreditá-la.

Este primeiro encontro intenso e desagradável termina com um desprezo mútuo, mas o destino reserva uma segunda dose, até que, após uma acusação de plágio, ele precisa sumir dos holofotes e os dois acabam convivendo na mesma casa (sem entregar aqui muitos spoilers). O drama então começa um caminho baseado naquele delicioso clichê de “Ódio para o Amor”, mas com uma reviravolta interessante: seus personagens muito ricos no meio do caminho e o desenvolvimento dos aspectos positivos e negativos de seus protagonistas. É uma experiência surpreendente, embora nem sempre muito empolgante. Para esquentar as coisas, em paralelo há uma trama investigativa, que tenta desvendar o mistério envolvendo o escritor Jang e seu irmão, um presidiário.

A melhor parte de Tudo Bem, Isso é Amor são seus personagens cheios de segredinhos. A maior parte do elenco enfrenta alguma condição psicológica, normalizando e ajudando a remover o estigma das doenças mentais.

Exemplo de atuação do ator Lee Kwang-soo

A começar pelos protagonistas imperfeitos e completos assim mesmo: um com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e a psiquiatra, que não suporta contato físico. Como é de se esperar, o cotidiano do hospital também aparece bastante, então temos mini historinhas sobre vários pacientes. Um dos melhores exemplos de como tudo é abordado com respeito é Soo Kwang, o rapaz com Síndrome de Tourette, interpretado pelo excelente ator Lee Kwang-soo. O personagem não é um mero figurante, sendo abordado seu interesse amoroso em sua colega de trabalho (primeiro dorama da Lee Sung Kyung, principal de Fada Levantadora de Peso, que interpreta uma garota-problema que namora por interesse).

A direção é do Kim Kyu Tae, de “Moon Lovers”. O roteiro é da No Hee Kyung, de Dear My Friends (2016) e That Winter, The Wind Blows (2013), ambos no Netflix. Dear My Friends já mostra a sensibilidade ímpar da autora com temas sensíveis, uma abordagem, que surpreendeu muitas pessoas na época e foi motivo de várias recomendações na comunidade dorameira por sua singularidade – mais ou menos o impacto que teve Tudo Bem Não ser Normal (2020). Ah, claro, a participação do D.O (Do Kyung Soo), do EXO (seu segundo dorama depois de To The Beautiful You), também deve ter tido sua parcela fundamental na fama da série, vamos admitir e dar créditos para a atuação do menino.

A parte técnica também é bastante agradável, a trilha sonora tem vários temas do estilinho “indie”, trazendo um clima divertido e leve com violão e vozes suaves. É bem agradável, divertido e dá um tom de bem-estar em alguns momentos, e de libertação em outros. Várias das músicas foram indicadas (como “I Love You”, da Yoon Mirae) a prêmio, enquanto duas venceram (“It’s Okay, That’s Love” – Davichi, e “The Best Luck” do Chen).

Início bem chato…

Principalmente no início, a série tem problemas de ritmo – passando muito longe do clima de maratona de Tudo Bem Não Ser Normal. Tive que fazer um bela pausa por falta de vontade de continuar, e só voltei a assistir porque as resenhas eram muito positivas. Alguns episódios são longos e um tanto enfadonhos, mas vale a pena esperar. A trama traz muitas surpresas e vai melhorando a cada episódio. Fui me focando nos personagens secundários, na importância do tema, e finalmente a maneira como tudo era abordado me prendeu. Faça um favor para si mesmo e não leia nenhuma resenha com spoiler dessa série. Agora, se você não liga nem um pouco para a questão psicológica da série e estiver achando chato, pode largar mesmo, porque não vai melhorar – não é um título para você. Até existe um suspense e uma trama quase policial, mas não o suficiente para que fãs desse gênero sintam-se instigados a ver só por esse motivo.

O romance é ótimo e entraria fácil em listas de “melhores cenas de pegação dos doramas”, pois o Jo In Sung é realmente muito charmoso e sedutor, e a personagem da Go Hyo Jin é bem forte.

Em resumo, It’s Okay, That’s Love é ótimo em sua construção de personagens, mas enfrenta problemas para engatar e até explicar logo de cara qual é a proposta da série. É um título que, com os anos passando e as séries que vieram depois ficando mais interessantes, vai perdendo o impacto. Porém, quando entra nos trilhos e foca no que é importante, surpreende e supera as expectativas, além de ter se tornado uma referência pela ousadia em falar abertamente sobre saúde mental em um país que considera as doenças uma fraqueza. Ninguém é “normal”, e está tudo bem assim.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

O que ver a seguir?

Se você busca um personagem narcisista parecido com o nosso galã, O que Houve com a Secretária Kim é muito recomendado para você.

Para uma história que aborda fortemente as questões psicológicas e tem uma relação invertida de escritor neurótico e cuidador da área da saúde, Tudo Bem Não ser Normal (2020).

Para outros dramas com questões psicológicas, veja esta lista, na qual está Kill Me Heal Me, que fala sobre múltiplas personalidades.

Por último, eu diria que os personagens aqui são bem “fora da caixinha”, algo que Itaewon Class tem bastante.

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