Resenhas de Kdrama

[Resenha] Apaixonados na Cidade: síndrome da impostora e um romance à la 500 Dias Com Ela

Lovestruck in the City é uma série coreana curta da Netflix de 17 episódios com apenas 30 minutos que conta, de forma bem descontraída, a vida de três casais que representam tipos de relacionamento. Entre eles está um arquiteto que tenta encontrar a mulher de espírito livre por quem se apaixonou à primeira vista e viveu um amor de verão, mas desapareceu sem deixar notícias. É uma história sobre términos.

A trama é de 2020, mas demorou para entrar no catálogo provavelmente por causa da dublagem, que aliás ficou bem legal e soltinha, mas ainda tem alguns probleminhas de pronúncias das vogais que enganam (“eo” por exemplo). O roteiro é da Jung Hyun Jung, das séries famosinhas Romance is a Bonus Book e a trilogia In Need of Romance / I Need Romance. No quesito romance que parece saído da vida real, acho que a série é bem gostosa de assistir, seguindo mais ou menos as sinopses de seus trabalhos anteriores. Até os casos mal resolvidos estão na conta. Já a direção é o ponto alto, que deixa tudo mais divertido, pelas mãos do Park Shin Woo, de Tudo Bem Não ser Normal, Encontro, Hyde, Jekyll e Eu, e Olhos Angelicais. A fotografia alegre e a preocupação estética fazem uma história mais ou menos ter gás, leveza e um brilho refrescante.

Elenco

Falando em refresco, os rostinhos da série são um colírio por si. Para começar, o grande galã da Coreia, o Ji Chang Wook, de K2, Healer, Parceiro Suspeito e um dos “bias” favoritos de quase todo dorameiro. Sua parceira é a bela de aura de “gente com a gente” Kim Ji Won, que fez Crônicas de Arthdal, Lutando Pelo Meu Caminho, Descendentes do Sol e Herdeiros. Os dois protagonizam um monte de beijões de dar inveja em muito beijo final de dorama. Aliás, um dos pontos positivos é que, como é bem natural e “parte da vida”, a série não economiza nos beijos.

@baijingting

Há outros atores importantes na história – nota para uma participação especial muito bem vinda do Minho, do SHINee – que aliás, bem que poderia ilustrar uma segunda temporada com a linda modelo Hong Su Zu, mas acho que vai acabar por ali mesmo.

A principal da versão coreana de Um Amor Lindo de Mais, So Ju Yeon, também aparece sorridente e fofinha, apesar de que muitos vão se sentir frustrados com o desenrolar da sua história, mas eu entendo como sendo apenas um fluxo natural e desromantizado de uma parte de relacionamentos longos. Acontece. Aconteceu comigo, pode acontecer com você. É até um pouco irônico que seu par romântico seja Kim Min Suk, que fez praticamente o mesmo personagem, só com profissão diferente, em Porque Esta É Minha Primeira Vida. O final desse casal é o que eu gostaria que tivesse acontecido no outro kdrama, porém eu admito que estar preparada para um episódio final ruim me fez mais aberta para ele.

Por último, Han Ji Eun (Be Melodramatic / Melo Is My Nature) é provavelmente a mais brasileira das personagens, bem empoderada e autoconsciente de sua beleza, acaba apaixonada por um rapaz com quem teve um encontro de uma noite só, Ryu Kyung Soo (Do filme A Ligação).

Ok, mas e a história?

A série é bem confusa de início, em especial se você é do tipo que não gosta de ler nenhum spoiler antes, mas a ideia é que você descubra bem aos poucos por que Yoon Seon A desapareceu com a câmera de Park Jae Won e por que o romance teve um fim. Essa “investigação” intrometida do espectador é feita através de um curioso documentário sobre relacionamentos, que introduz amigos do casal e seus respectivos casos. É bem divertido de assistir e dinâmico. Tem um quê de série americana, falando de leve sobre primeira vez, beijos e afins. No meio disso, algumas pistas vão entrelaçando Jae Won e Seon A até que a história comece a focar em seus passados. A direção é que dá o tom que instiga mesmo quando não há muito para ser descoberto. Um recurso bem divertido também é o da quebra da quarta parede, na qual os personagens conversam com o espectador e até entre si, brincando um pouco com a noção da realidade.

@storge

Se você conhece o filme norte-americano 500 Dias com Ela, pode ter sentimentos parecidos pelo filme: há um término misterioso proposto logo no começo da história e uma idealização em volta de uma moça aparentemente de espírito livre, sedutora e alegre. Aos poucos, começamos a descobrir a vida dessa protagonista, que eu considero mais real do que aquela idolatria em volta da Summer, e é aí que a série toma rumos mais de k-drama, discutindo, bem superficialmente, um tema bem interessante sobre a Síndrome da Impostora e a pergunta que grande parte das mulheres já se fez: será que sou boa o bastante? Ninguém pode gostar de mim como eu sou de verdade. Eu sou um personagem, mas se descobrissem como sou, ninguém ficaria comigo. É fofo, mas não aprofunda demais, pois não é o propósito da série. Por isso mesmo acho legal ter esse elemento, porque mesmo não sendo muito dramático, os personagens têm uma razão de ser, um passado, um contexto, uma paixão construída. Além disso, Yoon Seon A vira um tipo de refúgio até de quem assiste. Quem nunca quis jogar tudo para o alto e começar de novo, sem medo e sem dar ouvidos para os outros? A protagonista vale a pena.

Isso quer dizer que é ruim?

A dinâmica de vários protagonistas é bem legal, embora não dê para sentir que os outros realmente importem no mesmo peso, como outros kdramas fazem melhor. Aqui é bom porque uma história só dos dois pombinhos ficaria muito vazia e, aí sim, muito chata.

@thingskateknows

O que eu não gostei muito foi o jeito obsessivo do protagonista em certo ponto da história. Confesso que estou em uma fase de querer ver doramas mais impactantes e complexos, mas não é uma série leve ruim. O que mais agrada são seus elementos estéticos, seja pelos beijões calientes de uma dupla belíssima de dois atores queridos da Coreia do Sul, seja pelo formato delicioso de cortes que quebram a quarta parede e brincam com o espectador como parte da história.

Apesar de obviamente ser uma história que não foi criada para ser levada muito a sério, ainda assim trouxe um tom de realidade para as personagens, em especial as mulheres, abordando questões como síndrome da impostora, empoderamento e independência. Até a forma como os relacionamentos são abordados, desconstruindo aquela noção romântica dos kdramas e trazendo um pouquinho de “olha, eu nem te conheço, a gente tem que se respeitar e se conhecer primeiro” eu acho bem positivo e diferente da mesmice.

No entanto, se você é aquele dorameiro que quer muito uma história super romântica, pode ser que fique um pouquinho decepcionado. No fim, é uma história divertida, leve e bem apropriada para quem gosta e está mais acostumado ao formato norte-americano de fazer seriados adolescentes, mas com um final bem coreano. Uma porta de entrada para quem só vê série norte-americana. Fica a dica para mostrar para aquele amigo se apaixonar nos atores, já que é tão acessível que inclusive tem dublagem.

E aquele final, hein?

@storge

Vi que muita gente detestou o último episódio, mas quando cheguei nele, eu estava esperando algo muito pior. Eu achei que poderia ser um gancho para segunda temporada, já que a autora tem uma trilogia de séries e o formato até comportaria, mas achei coerente com a proposta de ter um pé no chão, mesmo que seja assim, meio jogado, mesmo. Achei que ela descontou em certos personagens o que não quis fazer com os protagonistas, embora tudo apontasse para um final parecido para eles. De toda forma, é uma tentativa de sair da mesmice e, nesse quesito, conseguiu. P.S.: perdoei tudo do último episódio pelo Minho, me julguem.

Nota:

Avaliação: 3.5 de 5.

É legal, é divertido. Nada memorável ou inesquecível, mas acima da média desse tipo de história principalmente por causa de trilha sonora e valores estéticos, que fazem a nota ser mais alta na minha cabeça. É “Padrão Netflix”. Nesse sentido é um pouco diferente, dá pra sentir mais próximo da realidade ocidental, sem romantizar tanto as relações. Sabe aquela história para assistir no almoço? É isso aí.

O que ver a seguir:

Esse clima bem jovem de descobertas e desventuras me lembra Age of Youth, no Netflix também.

Uma história superior com a mesma dinâmica de casais, mas com mais conteúdo e alma, seria Porque Esta é Minha Primeira Vida.

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