Resenha de Touch Your Heart: não é continuação de Goblin, mas casal querido está de volta

Touch Your Heart é um drama da tvN exibido em 2019 que conta a história de uma atriz (Yoo In Na) que precisa fazer estágio em um escritório de advocacia com o advogado mais implacável do local (Lee Dong Wook) para voltar a atuar em um drama de advogados. A história se desenvolve em volta do relacionamento dos dois, uma espécie de sucessor espiritual dos personagens de Goblin (2016) que os fãs sentiram falta. (Confira aqui a impressão do primeiro episódio e sinopse.)

Sob direção de Park Joon Hwa (De “What’s Wrong With Secretary Kim” e “Because This is My First Life“), o drama traz muita leveza, beleza estética e um ar doce, como esses dois trabalhos citados. Temos várias referências também a Descendants of The Sun, da qual a produção fez parte.

A trama do drama que Jin Shim está gravando é completamente inspirada em Descendants of The Sun, mas com advogados

De cara, posso recomendar para qualquer fã de Lee Dong Wook e Yoo In Na. Eles fazem um trabalho envolvente do começo ao fim e possuem uma química inegável. Se você torceu por eles como casal em Goblin, não há dúvidas de que vai gostar – a relação chega a um ápice no episódio 11.

Os personagens são muito parecidos com o final da temporada: uma super estrela patricinha meiga, carinhosa, empática, fofa e sincera (o nome da personagem e o nome da série – Jin Shim – são um trocadilho). Já ele é retraído, sério, mas que aos poucos começa a ter seu coração tocado pelo jeitinho atrapalhado e sem a menor noção de mundo dela.

Já se você caiu de paraquedas, eu preciso dizer que a história não é o forte deste dorama.

O que poderia ter sido e as tramas desperdiçadas

Logo na premissa, somos apresentados a uma polêmica que envolveu o nome de Yoo In Na: ela foi falsamente acusada por uso de drogas e isso estragou sua carreira.

A série da a entender que irá abordar o escândalo e seus envolvidos, até chegando a pincelar algumas dicas no ar do que aconteceria. Para mim, esse foi o primeiro erro – pois avisos mais constantes teriam construído um clima de subtrama, um recurso que While You Were Sleeping (2017 – veja resenha aqui) faz muito bem. Quem assistiu My Love From Another Star (2013) também teve muita expectativa em cima dos detalhes, principalmente daquele ursinho.

De repente, a partir do episódio 11, a história pela qual fiquei esperando finalmente apareceu e foi uma decepção: venderam um vilão poderoso e difícil, mas entregaram dois episódios corridos, mal explicados e resolvidos rapidamente. Seria muito melhor nem terem tocado no assunto, então.

Nos grupos de discussão da internet levantou-se a hipótese dos escândalos envolvendo Burning Sun e ídolos de K-POP terem enterrado essa história. Até aí, é compreensível (apesar de frustrante e perder uma oportunidade boa de discutir um tema importante), mas depois de tirarem a trama principal da frente, eles resgataram uma subplot que foi interessante quando passou, mas que estava concluída e não tinha material o suficiente para ser a principal, simplesmente porque não tem liga com os personagens mais importantes e não os desenvolve!

Além disso, para conseguir ressuscitar o caso, eles colocam tantos elementos “surpreendentes” que eu senti pena dos ótimos atores secundários (Kim Dae Gon e Yoon Yae) desse caso e que tiveram que inventar nuances que passam um recado bem negativo sobre abuso doméstico. Não me desceu.

Reunião de happy hour do escritório: poderiam focar mais na trama de cada um aqui

Felizmente – e porque não tinha como enrolar mais – nos dois últimos episódios eles recuperaram a aura leve e alegre, mostrando que eles nunca deveriam ter tentado dar um tom serio se era para pincelar desse jeito. A relação de um advogado com uma secretária já é interessante do ponto de vista romântico e aqui ainda temos um leigo e uma atriz. Explorar esses mundos já teria se sustentado sozinho por causa das atuações deles.

Além disso, temos personagens que poderiam ter dado todas as cores possíveis até o fim do episódio vivendo bem ali, no escritório. Eles desenvolvem algumas tramas, mas poderiam focar em todos eles – como bem faz Because It’s My First Life, do mesmo diretor – então poderiam fechar os 16 episódios sem resgatar um caso irrelevante.

Outros personagens

O outro casal da historia que inicialmente foi divulgado como principal (interpretado por Lee Sang Woo e Son Sung Yoon) nem aparece tanto assim e não tem metade da empatia e carisma – chegando a me fazer questionar o tempo de cena deles, pois sua influência na história é mínima e poderia ter sido feita por outros personagens.

Shim Hyung Tak, Park Kyung Hye e Kim Hee Jung

Como previsto na minha análise do primeiro episódio, Park Kyung Hye (que foi uma fantasma em Globin) e Shim Hyung Tak conseguem seu lugar no pódio, porque mesmo sendo tão caricatas são engraçados e dá para se preocupar com eles – dá até para se identificar com a personagem que se apaixona facilmente (e seus amores têm várias participações especiais, como o Chansung do 2PM).

A personagem de Jang So Yeon (a mãe da menina acusada de praticar bullying) também se desenvolveu em menor escala, mas sua trama paralela foi um exemplo do que o drama podia ter feito com mais frequência.

Já Kim Hee Jung – uma atriz que ficou famosa por fazer papel de uma criança no drama Magic Kid Masuri (2002) – acabou como apenas um rosto bonito (lindo) mesmo.

Conclusão

Momentos muito engraçados, românticos e “aaaa” ♥

É uma serie fofa e leve, que vale pelos principais, mas se perde tentando trazer “o caso do dia”. Se está procurando uma trama principal forte por trás de uma história simples de secretária fofa e patrão difícil, What’s Wrong With Secretary Kim (2018) faz um trabalho muito melhor desenvolvendo traumas.

Se você quer uma história mais densa mesmo, que foque em advogados e casos que se entrelaçam mas também com romance e que de fato desenvolvem os principais, While You Were Sleeping (2017) é sua opcão.

Mas se você é simplesmente fã dos dois, não precisa hesitar em assistir, porque química é o que não falta e os personagens são apaixonantes!

5 comentários em “Resenha de Touch Your Heart: não é continuação de Goblin, mas casal querido está de volta

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