Resenhas de Kdrama

[Resenha] O Jogo da Morte: dorama de ator de Desgraça a Seu Dispor questiona sentido da vida

O Jogo da Morte (Death’s Game) é uma web-serie de fantasia e reencarnação baseado em um webtoon de mesmo nome, escrito por Lee Wonsik e Ggulchan. Vivendo uma vida extremamente frustrada aos 30 anos, Choi Yee Jae decide se matar, mas ao invés de morrer, descobre que a Morte tem outros planos para ele. 

Texto por: Leticia Steenhagen (Hae Shin) em colaboração especial ao site.

Death’s Game é um dorama dublado curto, uma série sul-coreana de 8 episódios que você pode assistir na plataforma Amazon Prime Video. Originalmente, foi exibida na streaming coreana TVING. Inserida no catálogo Prime entre o fim de dezembro de 2023 e janeiro de 2024, possui, ao todo, 8 episódios onde cada um tem cerca de 50 minutos de duração.

Adaptada e dirigida por Ha Byung-hoon (18 outra vez; Redescobrindo o Amor), é co-estrelada por Seo In Guk (Desgraça ao Seu Dispor; Reply 97) e Park So Dam (Passarela dos Sonhos; Parasita).

Alerta de Gatilhos!

Por mais interessante que a trama possa ser, é necessário avisar que essa história possui muitos gatilhos. Imagine que o autor listou vários problemas sociais e psiquiátricos e decidiu inserir todos eles em uma história de 8 episódios. 

Portanto, se você não consegue assistir tramas violentas semelhantes a Vincenzo, Cães de Caça, My Name ou Round 6, é melhor não ler essa resenha ou caso leia, não assistir, por mais tentador que seja. 

SINOPSE: 

Choi Yee Jae (Seo In Guk) é um homem recém chegado aos 30 anos que possui muitas frustrações em sua vida. Desde um episódio que ocorreu 7 anos atrás, a sorte o abandonou e nenhum de seus planos pós-faculdade deram certo. Após um dia infernal, onde absolutamente tudo deu errado e tudo o que tinha se perdeu, ele decide tirar a própria vida. No entanto, quando desperta no que seria o “fim”, ele descobre que é apenas o começo. 

A Morte (Park So Dam), aqui representada como uma mulher, o recepciona e mostra como a escolha dele será mais dolorosa do que ele imagina. Depois de mostrar como é o Inferno de verdade, ela apresenta uma chance para ele, algo que ele chama de Jogo e ela adota o termo: Ele terá doze chances de impedir a morte. São doze pessoas que, na realidade, já morreram, mas que ele tomará consciência, memórias e habilidades nos minutos, segundos, dias ou semanas antes da morte predestinada da pessoa – mal comparando, como se ele retornasse ao jogo num safe-point. Sua missão é impedir que a morte daquela pessoa aconteça dentro do previsto para que, assim, evite o Inferno e receba o perdão de Deus. Bastará salvar uma para que garanta a salvação de sua alma.  

AS DOZE VIDAS E GRANDE ELENCO:

Choi Yee Jae (Seo In Guk) sempre recebe um tiro na cabeça para iniciar entrar no corpo de uma nova vida. A partir do momento que desperta, um novo nome, memórias, habilidades e ator aparece. Nesse dorama, você encontrará um elenco de peso que certamente já viu em algum dorama (com exceção de uma vida que é efêmera demais e um dos retratos mais tristes). 

Sem dar a ordem das vidas ou no que elas influenciam, você encontrará: Lee Jae Wook (Alquimia das Almas, Extraordinary You), Lee Do Hyun (A Lição, The Good Bad Mother, Sweet Home, 18 outra vez), o ator mirim Kim Kang Hoon (Para Sempre Camélia, Apostando Alto, 18 outra vez); Choi Siwon (Cães de Caça; Ela Era Linda; Revolutionary Love, além de idol, membro do grupo Super Junior); Sung Hoon (Perfect Marriage Revenge; Amor, Casamento e Divórcio; My Secret Romance); Kim Jae Wook (Her Private Life; Voice); Oh Jung Se (Tudo bem não ser normal; Para Sempre Camélia), dentre outros. Isso, sem contar nos personagens que interagem com essas vidas como Go Youn Jung (Alquimia das Almas, Sweet Home); Kim Ji Hoon (Flor do Mal) e Kim Mi Kyung (De volta às raízes; Dra Cha; Tudo bem não ser normal). 

Aparentemente, eles não economizaram no elenco, tampouco nos efeitos especiais que uma história como essa precisa ter. 

As doze vidas são representadas por um relógio cujo ponteiro segue uma contagem regressiva a cada morte. 

Nenhuma experiência do protagonista acontece em vão. Existe um porquê para tudo e uma lição a ser aprendida. No entanto, como é uma punição divina, as mortes são extremamente dolorosas e isso é registrado na trama. Não chega a ser um gore (algo nível a franquia de filmes Jogos Mortais) e o espectador já vai ciente de que aquele personagem vai morrer, então, meio que já há uma aceitação do que está por vir. O que é doloroso de verdade para quem assiste são as traições ou os sentimentos que todos os atores conseguem transmitir diante da experiência pela qual passam – embora Cho Yee Jae seja o único que sente na pele(ou no espírito?) o que está acontecendo. 

O EGOÍSMO E A GANÂNCIA QUE NOS CEGAM.

Os primeiros quatro episódios nos mostram um personagem que ainda busca por aquilo que não teve durante a vida: prestígio, sucesso e, principalmente, dinheiro. Como foi isso que ele sempre desejou, mas nunca alcançou, é o que ele acha que falta para que ele seja plenamente feliz. E as vidas que ele reencarna, à priori, são capazes de proporcionar isso a ele com boas doses de ação, tirando-o completamente daquele tédio e marasmo que a vida média causa. A sensação de que tudo é igual e nada vai mudar. 

No entanto, a segunda parte nos mostra uma virada de chave onde ele consegue entender onde foi que realmente errou e o que realmente importa nessa vida. O que deixamos quando partimos? Dependendo da forma como acontece, se for de modo repentino, inesperado, pode ser um grande vazio na vida das pessoas, extrema saudades e sensação de injustiça. No caso de alguém que buscou pelo fim da vida com as próprias mãos, fica o sentimento amargo de culpa, responsabilidade por não ter percebido que precisava de ajuda, ainda mais no núcleo principal que a pessoa vivia. Como ninguém foi capaz de perceber um silencioso grito de socorro?

Geralmente apontam pessoas com tendências assim como egoístas ou desesperadas demais em ceifar a própria dor. E isso é representado na série, ao passo em que o protagonista começa sempre buscando por dinheiro e recompensas, a ponto de ignorar o perigo iminente que vai acabar com aquela vida, mas não pensa em revisitar as pessoas que deixou para trás, mesmo podendo fazer isso. Porém, a partir do momento em que se passa dessa fase, o mergulho fica ainda mais profundo. 

Quando o personagem deixa de olhar para a própria dor e consegue ampliar sua visão, vendo a dor que deixou, o modo dele pensar e agir também muda. E, assim, os pontos e fios cruzados pela Morte começam a fazer um grande bordado, tal qual um tapete tecido pelo tempo que conta a história do indivíduo, do início até seu fim. 

Embora eu, particularmente, não concorde com a vertente que declara que pessoas assim são egoístas, consigo entender a explicação. Ainda assim, apenas quem passa pelo sofrimento diário de vazio e falta de esperança, sabe como é difícil enxergar na escuridão que habita a mente. Se é difícil olhar para si, quiçá olhar para o outro. Só mesmo estando na pele do outro para entender. O que realmente acontece na história, visto que ele precisa sentir as dores dos outros para compreender que o mundo nunca se limitou a ele. 

(musica tema)

UMA HISTÓRIA PROFUNDA EM 8 HORAS. 

Como se não bastasse o elenco grandioso e o plot cheiro de reviravoltas e questões interessantes para se pensar, O Jogo da Morte também entrega algo que poucas vezes consegui ver, ainda mais num dorama tão curto: um ritmo implacável. 

Deve ter sido desafiador colocar tantos atores A-List dividindo a tela, às vezes participando de meio episódio e ainda assim entregando camadas e mais camadas de plot. Isso sem falar na quantidade de questões sociais problemáticas como bullying, violência infantil, defasagem no sistema jurídico, corrupção, serial killer e, ainda, questões psicossociais como psicopatia, sociopatia e depressão. 

Como foi que eles conseguiram pegar tudo isso e distribuir em menos de OITO HORAS de história?? É uma questão que ainda não soube responder e me deixa bastante impressionada. 

Existem momentos que a trama consegue ser engraçada e você dá umas risadinhas, mas também te faz chorar, te faz sentir injustiça, te frustra e te choca. 

O mais legal de tudo é que ainda deixa a história toda redonda, tudo faz um sentido. Seja porque as mortes têm ligações umas com as outras ou porque outras mortes serviram para que o protagonista tivesse choque de realidade e despertasse para a vida que tinha. 

Em oito episódios, consegue dar uma AULA para doramas de 16, 20 episódios que simplesmente enrolam e esticam de um jeito completamente desnecessário, uma trama que podia ir direto ao ponto. O Jogo da Morte não te enrola e da mesma forma que te dá cenas incríveis, também te tira quando a vida acaba. 

Não consigo apontar um episódio que tenha se destacado mais, porque todos eles superaram minhas expectativas e já me levavam a pular para o próximo capítulo. 

CONCLUSÃO

Apesar de ter um nome envolvendo a Morte, eu acho que ele é uma valorização à vida. Porque você é único e essencial nesse mundo. 

Acho que pessoas mais sensíveis que não tenham gostado dos doramas que citei antes, talvez não se sintam confortáveis em ver – o que é uma pena – mas quem der uma chance, não vai se arrepender. 

Todo dorama que me faz querer assistir mais de uma vez (e eu realmente fiz isso essa semana), merece minhas 5 estrelas. 

Mas calma! Deixe-me falar só mais uma coisinha. 

Se você estiver passando por um momento difícil, onde se sente sufocado e à beira do abismo; onde tudo parece desértico e solitário, muito escuro e os ecos da sua mente não te trazem boas palavras, procure ajuda. Você não é e nem precisa ser forte sozinho. 

Ligue para o CVV, pois lá você encontrará alguém para escutá-lo.

E, mais, se você gosta de livros, indico o Amiga Conselheira, escrito pela Juliana Dutra (sim, a dona deste site). Você encontrará um livro sem orelhas porque ele quer falar! E com certeza vai falar com você através de frases muito marcantes e envolventes. É uma leitura bem rapidinha que vai valer muito a pena. Clique aqui  para dar uma conferida nele. 

Espero que goste da resenha e, caso assista, venha aqui contar o que achou! Até a próxima!

Avaliação:

Avaliação: 5 de 5.

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