Resenhas de Kdrama

[Resenha] Beleza Interior: comédia romântica da autora de Desgraça a Seu Dispor sobre troca de identidade

The Beauty Inside (2018) é um dorama do catálogo do Netflix de 16 episódios, que mistura comédia romântica, um toque leve de fantasia e uma pitada de drama.

Sinopse

Han Se Gye (Seo Hyun Jin, de Você é Minha Primavera, Temperature of Love e Another Miss Oh) é uma atriz famosa e rebelde que sofre com o peso da fama e o fato de ser vista e tratada como apenas um produto. Ela sofre de uma condição rara que uma vez por mês sua aparência é completamente modificada, podendo ser de idosa a criança. Por esse motivo, de tempos em tempos, ela precisa fugir da mídia, que inventa boatos para explicar as ausências. Para beneficiar sua imagem, acaba firmando um acordo com o diretor executivo de uma companhia aérea, Seo Deo Jae (Lee Min Ki, de Porque Esta é Minha Primeira Vida e Tramas do Passado), um homem sério que esconde sua prosopagnosia, ou “cegueira facial”, uma condição que faz com que a pessoa não reconheça rostos (você já deve ter visto isso em Holo, Meu Amor).

A trama é uma adaptação da Im Me Ah Ri, que escreveu o queridinho dos dorameiros Desgraça a Seu Dispor, do filme de 2015 de mesmo nome, que por sua vez é uma adaptação de uma série americana de 2012, sobre um homem que muda constantemente de aparência e seu relacionamento amoroso.

Elenco

@kodrama

Seo Hyun Jin é uma adorável Han Se Gye. É forte, mas doce. Seu sofrimento parece real, mesmo com uma condição fantasiosa. Você acredita nela em todas as fases e a personagem tem várias camadas. De mulherão confiante a filha mimada, de namorada carinhosa a amiga divertida. Leva algum tempo, mas ela mostra tudo de si e entrega muito bem o drama e a seriedade que certas cenas pedem sem deixá-las bobas.

@kodrama

Lee Min Ki começa controverso. O personagem é um muro de concreto. Suas falas são rígidas, seu olhar é robótico, sendo ainda mais sério do que em Porque Esta É Minha Primeira Vida. Apesar disso, não me causou antipatia. Talvez porque o personagem vai se desvendando para o mundo e seu jeito reservado tem sim um charme. São formas “estranhas” de agir que ficam fofas falando algumas frases românticas em especial.

Como casal, não acho que os dois tenham muita química só de olhar, porém a dinâmica funciona como parte do carisma dela, bons diálogos e beijões bem dados e bem demorados, como dois adultos.

@dramasource

Essa série tem alguns personagens secundários ótimos. Destaco a assistente de Se Gye, que é muito fofinha e carismática, sendo interpretada por Moon Ji In, o ambicioso secretário Jung Joo Hwan, interpretado por Lee Taeri (Extraordinary You). Eles trazem pontos de comédia que alegram muito a cena e parecem vivos, com personalidade própria. A assistente fica chateada com a atriz, e o secretário mostra ser orgulhoso, exigindo aumentos de salário diante de alguns pedidos fora de seu escopo de trabalho.

Também agregam as mães dos protagonistas, interpretadas pelas veteranas Na Young Hee e Kim Hee Jung. A primeira possui uma das cenas mais engraçadas da dramalândia e surpreende com uma conversa mais carinhosa. A segunda protagoniza um momento bem forte e inesperado da série, dando peso e momentos emocionantes sobre relações de mãe e filha.

@hnnhgrce

Por outro lado, assim como em seu dorama posterior, há um casal secundário que começa bastante morno com muito tempo de cena. A presidente Kang Sara (Lee Da Hee, de Eu Ouço a Sua Voz), que briga com o meio-irmão e contrata como empregado o garoto que quer se tornar padre, Ryu Eun Ho (Ahn Jae Hyun), até é uma personagem interessante que acaba melhorando com o tempo, mas seu jogo de cena com o o rostinho conhecido de Cinderela e os Quatro Cavaleiros demora para engatar. No começo me deu vontade de pular mais da metade das cenas deles, mas algumas eram bonitinhas, admito. Até que eles trazem uma dinâmica que levanta a curiosidade: do que eles vão abrir mão para ficar juntos?

Por último, para funcionar a justificativa da série, os atores que entram no lugar da Seo Hyun Jin precisam convencer que são a mesma personagem – do contrário compromete a série (como aconteceu em Abismo Mágico). Felizmente, isso é feito muito bem por alguns deles, por exemplo a atriz Kim Sung Ryung (de Are You Human Too), o talento infantil Moon Woo Jin (Tudo bem Não ser Normal) e a atriz que recebe a pior notícia de todas as Han Se Gye (Ra Mi Ran, de Melting Me Softly, Reply 1988 e A Candidata Honesta).

Também está no elenco a polêmica Ryu HwaYoung (Hello My Twenties, ex-T-ara), que interpreta uma atriz péssima com um ego elevado. Ouso dizer que ela foi bem demais nessa função…

A trama

Confesso que me surpreendi positivamente. Não é o melhor dorama que já assisti, passando bem longe disso, mas cumpre muito bem o papel de ser engraçada (não costumo rir em doramas), divertida e ao mesmo tempo com momentos emocionantes que me pegaram de supresa. Não esperava chorar com essa trama, mas acabou acontecendo mais de uma vez. Ela aborda relações entre mãe e filha, assim como o que é o tal do amor verdadeiro, além das aparências. O verdadeiro “até que a morte os separe”.

@iankaramellipastram

O problema que já pode ser antecipado é que 16 episódios são um pouco demais do que a série precisava – tanto que os dois últimos são 1 ano depois. Um filme ficaria perfeito, uma série de 12 funcionaria melhor. Para preencher lacunas, existem términos bobos, um casal secundário fraco e preenchimentos que em nada acrescentam, especialmente quando vai chegando perto do final da trama.

Outra questão é o casal secundário. Não sou fã do Ahn Jae Hyun, então não me convenceu logo de primeira a torcer por ele. Acho que tem muita cena chatinha dos dois que foi feita só para alongar trama.

Pra finalizar, no início tem vários momentos com câmera trêmula que não contam nenhuma narrativa, só causam um certo mal estar mesmo em quem assiste.

Não sei se era necessário um final como aquele, mas até que fez sentido pelo fato de que os dois estão conectados no passado e precisavam disso para se resolver e aceitar ficarem juntos. Porém, eu teria achado mais interessante como os personagens viveriam com esse fato, sem solucioná-lo, provando um amor maior. Além disso, a passagem de tempo não serviu para praticamente nada.

Analise final

@iyeolie

Beleza Interior é uma boa comédia com elementos interessantes: um personagem inicialmente nada carismático e com pouca empatia em contato com uma personagem feminina com reações fortes e expansivas. Ambos chocam as pessoas com sua franqueza. Os dois, no fundo, mostram de forma transparente, sua beleza interior e precisam também aceitá-la por si mesmos. Mas as pessoas não estão preparadas para lidar com isso, preferem a máscara bonita.

Enquanto ela busca alguém que goste dela pelo que ela é por dentro, ele, que tem uma péssima reputação por fora, também tem sua beleza interior a ser revelada e precisa de uma conexão tão estranha quanto ele, para que volte a sentir que é uma pessoa normal. Os dois se reconhecem, se identificam e se amam no estranhamento que um acha que pode entender do outro. É bem fofinho nesse aspecto.

Outro questionamento interessante é sobre o que constitui um sujeito. O que faz de você, você? Se você tivesse outra aparência, como o mundo te trataria? Como você viveria no mundo? O mundo te aceitaria assim? Será que seu companheiro (a) te aceitaria? Essas questões ficam no ar no dorama, sem muito aprofundamento, claro, pois a ideia da série é ser bem leve, mas vale alguma reflexão. Também fala sobre relação de mãe e filha, como a filha acaba repetindo uma certa escolha da mãe ou tentando evitar a todo custo e como isso as influencia muito.

Vale a pena? Sim. Não é um dorama absolutamente imperdível, tem muitas cenas chatas e longas, mas é divertido sem ser muito bobo, passa o tempo, e traz algo de diferente, com boas doses de comédia e momentos inesperados de alta sensibilidade. Só cuidado com os gatilhos se você sofreu alguma perda recentemente.

O que ver a seguir?

Beleza de Gangnam, My ID Is Gangnam Beauty pode ser uma boa opção sobre esses padrões de beleza, em uma comédia romântica escolar bem leve.

Tudo Bem, Isso é Amor tem um protagonista bem sério e um elenco recheado de pessoas com transtornos que merecem ser amadas.

Um bom dorama sobre “beleza interior” e troca de corpos é Switched, também do Netflix. Confira aqui a resenha.

Porque Esta é Minha Primeira Vida: tem no Netflix e o mesmo ator protagonista. O personagem é praticamente o mesmo. Então, se você gostou, vai encontrá-lo nessa história deliciosa e bem real sobre relacionamentos amorosos.

Nota:

Avaliação: 3 de 5.

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