[Resenha] Moonlight Drawn By Clouds: drama histórico com troca de gênero

Moonlight Drawn By Clouds (2016) é um drama da KBS com ambientação em Joseon sobre uma menina (Kim Yoo Jung) que entra no palácio disfarçada de eunuco e ganha o coração do príncipe herdeiro (Park Bo Gum). A história é baseada em um webdrama escrito por Yoon Yi So em 2013 e veio para competir diretamente com o drama histórico Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo (2016)

A história, de 18 episódios, fez um sucesso estrondoso na Coreia, muito por causa dos dois principais – uma é a atriz-mirim queridinha da Coreia e o outro uma estrela hallyu. A combinação não poderia ser diferente e dá certo.

A sinopse: Ra On vive como conselheira amorosa sob uma identidade falsa de garoto. Um dia ela é vendida para o palácio como eunuco, para pagar dívidas. No meio do caminho, ela acaba conhecendo o príncipe herdeiro, Hyomyeong, e, após uma série de coincidências, ela se torna o eunuco favorito do príncipe e mexe com seu coração.

Logo no início nota-se o forte humor e clima de conto de fadas da história. Em uma trama séria e realista, seria praticamente impossível que Ra On conseguisse se passar por um menino e, ainda mais, avançar nos testes do palácio. Por isso, para entrar na história, é necessário comprar todas as facilitações narrativas e altas confusões da sessão da tarde com bom humor até o episódio 4. Não é difícil fazer isso, porque a premissa já pressupõe que você aceitou embarcar nessa.

A partir de então a história começa de verdade, cheia de fofura. Os dois começam a se conhecer melhor, implicar e ensinar. Os principais são adoráveis, esbanjam carisma e química. Park Bo Gum vende um bom príncipe idealista, mas que é esperto e não chega a ser tão ingênuo. Já Yoo Jung é engraçada, brilhante e de bom coração, dá vontade de protegê-la.

A relação dos dois começa a complicar quando boatos correm soltos pelo palácio de que o príncipe é homossexual. Aqui nós temos o primeiro divisor de águas da história: será que ele se confessa mesmo achando que ela é um garoto ou aguarda uma revelação? Gostei e quase subi na cadeira em como a série resolveu isso, mas eu teria ficado só com a primeira cena. Acho que as explicações demais deram uma esfriada no clima e eu me pergunto como teria sido se ele tivesse optado por outro rumo.

Infelizmente, aqui começam os problemas de escolhas que a série faz. O dorama passa a usar um recurso que elogiei em Moon Embracing The Sun (2010), que é o de flahsbacks recentes, que contextualizam ações inesperadas do momento. A meu ver, em Love in The Moonlight houve um uso excessivo e, algumas vezes, as cenas pareciam um tapa-buraco para uma cena que faltou nos episódios anteriores e que seria muito importante se o espectador tivesse visto e construído o personagem com ela. Pior do que isso, em alguns casos, a tal cena esfria demais a temperatura da atual. O primeiro beijo do casal é um exemplo claro disso. A cena, sozinha, é emocionante, mas, depois, com a “cena extra”, perde muito de seu poder. Isso começa a se repetir muito, especialmente perto do final.

Essas pequenas cenas trazem uma sensação de segurança de que tudo vai terminar bem e um risco de o espectador parar de se importar. Não é exagero dizer que quase tudo que acontece de tenso nesse drama se fosse ambientado em qualquer outro terminaria em morte e, no mínimo, tortura.

É uma lástima, porque você torce e se apaixona por alguns personagens, mas acaba tornando-se um tanto previsível e sem tensão. Por outro lado, é um refresco no meio do gênero. Essa característica foi revelada em entrevista pela autora do webdrama, que, cansada de escrever histórias depressivas e densas, criou um conto pensando em seus filhos.

PERSONAGENS

Falando nos personagens, além dos protagonistas, há algumas outras menções que merecem ser destacadas.

Chae Soo Bin (I’m Not a Robot, Sassy Go Go) faz uma personagem que nunca mostra a que veio. Ela começa como uma clássica adição para ser uma ameaça ao casal principal, mas um ponto positivo do drama é que o príncipe sabe muito bem quem ama. A partir disso, a personagem fica absolutamente sem função e nunca faz nada. Ela toma várias decisões estúpidas que, no final, pouco acrescentaram para a história, com exceção de uma, que indiretamente prejudica (muito) uma personagem. Peguei raiva sim.

Jung Jin Young (B1A4 e My First First Love) é o grande injustiçado desse drama. Interpretando um nobre pintor que precisa honrar seu clã, sua função é mal aproveitada e se resume a correr indiscriminadamente atrás da protagonista. O personagem chega a aparecer em cena para, exclusivamente assisti-la. Sua importância cai tanto que os roteiristas decidiram um dos piores finais possíveis.

Kwak Dong Yeon (My ID is Gangnam Beauty) faz um guarda tão encantador quanto o de Moon Embracing The Sun. Sua relação com o príncipe é bastante especial e o personagem tem uma boa história. Também achei que os roteiristas o maltrataram bastante.

Menções honrosas para a princesa interpretada por Jung Hye Sung (amiga da protagonista de Oh My Venus), cuja maquiagem para engordar demorava quatro horas, e a pequena e charmosa Heo Jung Eun, com um futuro brilhante pela frente. A saudosa Jeon Mi Seon também participou e deixou sua marca. Infelizmente, a atriz cometeu suicídio em junho de 2019.

Bastidores da princesa

MÚSICA

Quase nada é memorável na OST, com exceção da música tema cantada por Gummy. Tudo é muito pop e um tanto genérico, mas o ator principal, Park Bo Gum, gravou uma música especial para o drama. Ouça abaixo.

CONCLUSÃO

Moonlight Drawn By Clouds, o Luar desenhado por nuvens, é a versão leve dos sageuk violentos e dramáticos. Por isso, recomendo até para quem não gosta de dramas históricos. A trama lembra muito a atmosfera alegre da primeira parte de Scarlet Heart.

O gostinho da revelação traz cenas memoráveis e fofas, bem como alguns acontecimentos apaixonantes que esbanjam química (como o evento de aniversário do príncipe, das lanternas e a cena da água). O melhor da série é quando ela não tenta ser profunda, obscura e séria.

Uma das minhas cenas favoritas sim

O problema fica, mais uma vez, na duração. Em 12 episódios, essa história seria fofa e completa. Em 16, poderia ter mais tensão, mas um ótimo desenvolvimento. Em 18… Bem, ela precisa de reviravoltas falsas e ideias que parecem ter saído do nada, especialmente nos quatro episódios finais. Tudo que a série não precisava é acrescentado e atrapalha, bastante.

Há muita trama bacana que poderia ser explorada dos personagens, mas, em vez disso, eles ignoram ou deixam pausados alguns desenvolvimentos (como o da jovem princesa muda) para inserir diversos elementos desnecessários e “super elaborados” que amolecem a coerência. Por esse motivo, digo que gostei do drama, mas detestei o final e o amontoado de acontecimentos de chove e não molha. “Olha a reviravolta! É mentira…”

Alguns destinos de personagens me incomodaram muito, porque sofreram no desenvolvimento por causa dos novos elementos. Algumas conclusões foram jogadas, não construídas, e certos personagens não mereciam isso.

De qualquer forma, a trama tem seus méritos e o casal protagonista é o principal deles. Recomendo pela raridade do tema e atmosfera.

Se você gostou da troca de gênero em Joseon, recomendo o drama Sungkyunkwan Scandal (2010), que tem a mesma proposta. Para ver mais de Kim Yoo Jung novinha e princesa, veja Moon Embracing The Sun (2012)

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