Em Mr. Queen, um chef de cozinha arrogante cai em um lago e fica preso no corpo de uma rainha da era Joseon. É uma comédia bem pastelão com romance e algumas intrigas de palácio características, mas que vale pela atuação competente da Shin Hye Sun e da dublagem em português.
INFORMAÇES GERAIS
Título: Mr. Queen (também conhecido como Sr. Rainha no Brasil)
Gênero: Comédia histórica, fantasia, romance
Episódios: 20
Disponível em: Netflix (dublado) e Viki (legendado)
Direção: Yoon Sung Shik (Psychopath Diary)
Roteiro: Park Kye Ok e Choi Ah Il (Meu Demônio Favorito, Mama Fairy and the Woodcutter)
O ENREDO EM POUCAS PALAVRAS
Jang Bong-hwan (Choi Jin-hyuk – A Última Imperatriz, Tunnel), um chef arrogante da Casa Azul sul-coreana, acorda no corpo de Kim So-yong (Shin Hye-sun – A Última Missão do Anjo, Hymn of Death), rainha da era Joseon. Preso em um palácio repleto de intrigas, ele precisa lidar com um rei aparentemente fraco, Cheoljong (Kim Jung-hyun – Pousando no Amor), uma rainha viúva manipuladora (Bae Jong-ok – O Mundo dos Casados) e uma crise de identidade que mistura humor e confusão política.
O ELENCO
- Kim So-yong / Bong-hwan (Shin Hye-sun : A atriz brilha ao interpretar um homem moderno preso no corpo de uma rainha. Seus trejeitos “masculinos” (como sentar de pernas abertas ou flertar com as damas do palácio) são hilários, e ela equilibra com maestria a comédia física e os momentos de vulnerabilidade. A atriz é excelente em tudo que se propõe e nos faz acreditar na magia de que há outra pessoa vivendo naquele corpo.
- Rei Cheoljong (Kim Jung-hyun : Sua química com Shin Hye-sun é razoável, mas acredito que a dublagem deixa o personagem mais charmoso. O personagem em si é um tanto insosso, com algumas boas tiradas e momentos fofos, especialmente quando tenta entender a versão nova da rainha.
- Rainha Viúva Sunwon (Bae Jong-ok): A vilã típica de dramalhão, com uma boa dose de comédia. Tem expressões exageradas e tramas maquiavélicas são um contraponto perfeito ao caos da rainha.
- Kim Byeong-in (Na In-woo ,de Marry My Husband, Cleaning Up e O Rio Onde a Lua Nasce ): O primo apaixonado pela rainha traz drama e lealdade questionável. É um personagem muito bem interpretado, mas seu final é previsível, mas deixa a desejar e tem uma construção um tanto apressada. Foi parte dos motivos que amornaram os últimos episódios, na minha opinião.
- Jo Hee-Jin (Seol In Na, de Osasis e Melancia Cintilante) : A concubina apaixonada pelo rei sofre com o roteiro. Seus momentos servem como conveniência narrativa, mas a personagem sofre de muita inconsistência. Ela não tem um arco próprio, só existe para servir ao enredo e empurrar a história do rei ou de outros personagens. Quando o roteiro não precisa mais dela, simplesmente a descartam.
- Hong Yeon (Chae Seo Eun, de Clima do Amor): a dama da corte cortejada pelo homem nobre é uma fofura à parte. Infelizmente, desenvolveram poucas nuances dela e eu gostaria muito de ver seu fechamento mais explícito nos dias atuais, mas ela é responsável por bons momentos carismáticos.
PONTOS FORTES: QUANDO A COMÉDIA FUNCIONA
- Humor Anárquico: Bong-hwan transforma o palácio em um circo: desde criar pratos “gourmet” no século XIX até ensinar danças sensuais. O melhor da série é ver o choque cultural histórico e as mudanças proporcionadas por isso.
- Personagens Coadjuvantes Memoráveis: A adorável dama de companhia Dona Choi (Cha Chung-hwa) e o chef real Man Bok (Kim In-kwon) roubam cenas com reações exageradas às loucuras da rainha e fazem a gente torcer por um romance.
- Destaque para a dublagem brasileira: A Netflix acertou ao traduzir piadas e gírias modernas, como a referência ao “Mc Donald’s e o Amo Muito Tudo Isso” e o “Mao Na Su Kara”, mantendo o humor ágil.
- Verdade cênica: é uma atuação rica que funciona, bem diferente de Abyss ou Oh My Ghostess, por exemplo, que peca ao perderem a referência do personagem principal. Aqui, você realmente acaba embarcando na magia da troca de corpo, tanto pela atuação quanto pela edição e os pensamentos atrelados.
PONTOS FRACOS: O DRAMA QUE NÃO CONVENCE
- Transição Tonal Brusca: Quando o enredo tenta ser sério (como conspirações políticas ou conflitos de identidade), perde o ritmo. A tensão não chega a impactar, e vilões como o Ministro Kim parecem genéricos.
- Final Controverso: [ALERTA DE SPOILER] Bong-hwan volta ao presente, e So-yong “original” assume o corpo, deixando a sensação de que o romance foi “roubado”. Muitos fãs lamentaram a falta de um encontro entre Bong-hwan e Cheoljong na atualidade, o que foi uma tremenda oportunidade perdida. Bem como explorar a existência dos descendentes daquelas famílias de Joseon com quem a rainha conviveu.
- Fusão de Almas Confusa: A mistura das personalidades de Bong-hwan e So-yong é pouco explorada, gerando dilemas não resolvidos. Teria sido mais interessante ver uma transição mais cedo.
POLÊMICAS DA SÉRIE
O drama foi criticado na Coreia por “deturpar” a história da dinastia Joseon, especialmente pela representação irreverente do rei Cheoljong (na vida real, ele foi retratado como um pervertido, mas aqui ganha nuances heroicas). Na época da exibição, a trama foi criticada em países como Indonésia e Malásia, por aspectos de identidade de gênero e sexismo.
VALE A PENA ASSISTIR?
Se você busca risadas garantidas e não se importa com furos narrativos, Mr. Queen é uma escolha boa, especialmente se for dublado. A atuação de Shin Hye-sun justifica sozinha os 20 episódios. Porém, se espera profundidade emocional ou rigor histórico, é melhor assistir uma série história de verdade. A série nunca tenta te enganar parecendo profunda, exceto nos três últimos episódios que tentam trazer uma luta e uma trama que acredito que não precisava ter acontecido (bastavam golpes políticos dentro do palácio).
Para quem curtiu: Go Princess Go (drama chinês original) e Secret Garden (troca de corpos com Hyun Bin).
Se você curtiu o “jeitão” mais passivo do rei, O Palhaço Coroado pode ser um dorama para você.
Comentem abaixo: Vocês acham que o rei se apaixonou por Bong-hwan ou pela So-yong “original”? A dublagem brasileira melhorou a experiência de vocês?
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