Resenhas de Kdrama

[Resenha] O Anjo do Amor: dorama do anjo que se apaixona por bailarina

Angel’s Last Mission: Love (A Última Missão do Anjo: O Amor) é um dorama da KBS2 de 2019, com 32 episódios curtos de meia hora e que a Netflix trouxe condensado em 16. Nele, uma bailarina que ficou cega após um acidente vive amargurada e com raiva do mundo, mas um anjo arteiro a salva e é punido pelas leis divinas, tornando-se meio-humano. Agora, o anjo precisa fazê-la encontrar amor para reascender aos céus, mas acaba apaixonado no processo.

A história foi escrita pela Choi Yoon Kyo, da série pouco conhecida Lucky Romance. A direção é do Lee Jung Sub, de Healer e Rainha Por Sete Dias. A premissa é bem interessante e, além da comédia romântica que aguça a curiosidade (uma figura protetora e alguém precisa de salvação) mexe com um tema que já passou pela cabeça de todo mundo: como restaurar a fé, em si mesmo, nos outros e na vida, quando se está desesperançoso? Se você foi do time que gostou de Desgraça a Seu Dispor, pode dar o play porque o tema é parecido, porém, é muito mais leve.

Elenco

@stoptheclocksforever

Apesar de ser uma comédia romântica, a todo momento temos cenas sérias sendo discutidas, muito por causa da atuação entregue e excelente da atriz Shin Hye Sun (Mr. Queen, Louvor à Morte e 30, mas 17). Esse papel dela em muito me lembrou 30, mas 17, pois a personagem sofre um conflito interno a todo momento e parece muito carente. Ela age de maneira grosseira para se proteger do mundo, especialmente porque sua família é invejosa e tem intenções ocultas. Crescendo no meio do balé, no qual tudo é competição, ela se vê sempre em uma disputa, mostrando logo poder para se posicionar e afugentar os perigos. No entanto, com sua figura de segurança, ela se permite ser apenas uma criança carente e birrenta, aos poucos sendo ensinada a amar. Afinal, toda criança birrenta tem uma dor dentro dela que não está sendo ouvida. A atriz dá um show na atuação e não apenas carrega a história nas costas como coloca camadas na personagem simplesmente com seu olhar. Todos os méritos da série estão sobre os ombros dela.

@moonlightsdream

Nesse papel de escuta está o anjo, interpretado pelo idol L, Kim Myung Soo, do INFINITE (Senhorita Hammurabi, O Sol do Mestre, Miau, o Garoto Secreto). Ele faz o papel de anjo inocente , por vezes é tão ingênuo que chega a irritar (por exemplo, criticando a forma como ela trata a família abusiva dela simplesmente porque é “família”, na mesma cena que a tia tentou roubar a sobrinha) — mas tudo bem, ele é um anjo, seria estranho se não fosse assim. O personagem é punido com a missão de fazê-la encontrar o amor e, para poder interagir com ela, ganha um corpo semi-humano, começando a sentir emoções antagônicas, como ciúme, desejo, ansiedade… Faz parte de seu processo para transcender como anjo passar por esse purgatório emocional que é a Terra e ir além dele, inclusive sabendo que no processo de fazer a bailarina encontrar o amor, ele deve ter abstinência do mesmo e ser unicamente altruista (em teoria). Me surpreendeu positivamente. No início, achei que ele ficaria em uma atuação linear apenas fofa, mas ele vai construindo bem a ideia de anjo e suas emoções.

Interessado romântica e profissionalmente em Ye Seo está Ji Kang Woo (Lee Dong Gun, Oh My Baby, Rainha Por Sete Dias, Onde as Estrelas Pousam), o diretor da companhia Fantasia, que a quer de volta como bailarina principal. Devo dizer que no começo achei essa criatura bem chatinha, insistente e grudenta… e no fim estava igual ao começo. Ele era muito obcecado, dava até medo. No entanto, ele me confundiu um pouco porque se mostrava bem atencioso e sua história me surpreendeu, porque, de certa maneira, justificava seu comportamento, até que ele mostrou a tal foto para ela. Eu tenho certeza que se tivessem escalado um galã tipo o Lee Min Ho, Gong Yoo ou Lee Dong Wook pra fazer o papel dele, o pessoal ficaria mais dividido e compraria melhor esse triângulo amoroso. Isso teria mudado o tom da série totalmente. Porém, de qualquer forma no texto o personagem não sai muito do lugar, promete uma coisa, mas não desenvolve completamente e fica nesse papel meio stalker, meio fanático, meio ex-amante…

Interpretando sua rival nos palcos e prima está a atriz Kim Bo Mi, que, como uma curiosidade, além de estar em seu primeiro papel principal também é bailarina na vida real. A personagem é interessante, pois é uma vilã que viveu na sombra da prima e agora se vê ameaçada com um possível retorno da prima. Eu torci um bocado para ela e o diretor, mas infelizmente esqueceram o desenvolvimento de ambos no churrasco e preferiram colocar umas cenas de sequestro bem episódio dos Power Rangers. Estou apenas sendo rabugenta, para uma personagem secundária, ela até fez muita coisa e tem uma evolução inesperada. Ela tinha potencial.

A mãe dela é insuportável (Do Ji Won, atriz que apareceu em Healer e Rainha Por Sete Dias), mas uma boa atriz faz mesmo milagres com um personagem ruim, pois ela mostra algumas camadas de preocupação e humanidade como mãe e você até acha que ela poderia existir no mundo real, com exceção da filha mais velha, essa sim parece ter saído de quadrinhos infantis de tão unidimensional.

@stoptheclocksforever

Dito isso, como é o desenvolvimento da história?

Gostei da dinâmica de equilibrar momentos muito tristes e intensos, com toda a experiência de interpretação da Shin Hye Sun, com leveza e comédia escrachada pastelão. Isso geralmente dá muito errado, mas achei que o tom de O Anjo do Amor é dado certo. Não é meu gosto pessoal, mas foi feito de uma maneira ok, principalmente considerando que o episódio que vemos na Netflix na verdade foi exibido dividido em dois.

O casalzinho tem uma atração natural por serem completamente opostos e já vemos que ela tem uma vulnerabilidade maior a seu lado, e a troca das experiências e aprendizagem é a chave desse relacionamento e da história em si. É legal acompanhar a evolução. No entanto, fica muito nítido como a atriz principal é quem carrega tudo com sua atuação de verdade, que faz com que o dorama não caia em mais uma trama bobinha e fraca como Miau, por exemplo. É graças a ela e ao sofrimento que é de verdade, que a série segue. E é graças a ele que o entretenimento e humor acontece. O clima fica parecendo um tanto “noona romance” e admito que funciona e é bem fofinho vê-la cuidando do anjinho, me fez sorrir.

O grande erro da série é que, da metade para frente, em vez de acompanhar as voltas ao palco da bailarina, como estava prometendo desde o primeiro episódio e nos fez torcer, de repente vira uma novela mexicana bem ruim com uma vilãzinha de quinta encomendando a morte da protagonista pela trigésima vez amarrando-a no alto de um prédio, entre outras bizarrices. Não tem como levar a sério. Essas atitudes vilanescas vergonhosas dignas de um seriado para crianças faz com que os episódios caiam muito de qualidade. Para piorar, o que poderia ser um bom triângulo amoroso com uma figura sofrida por quem a audiência teria empatia se torna simplesmente um cara chato pra caramba perseguindo a protagonista com uma resolução fraca (“ah, ela era parecida com você, mas não é você. Ok”).

Lá pelos três episódios finais, isso é redimido um pouco, e a vontade de pular as cenas diminui bastante e, mais uma vez graças à excelente atuação da protagonista, voltei a me envolver com a trama e o sofrimento dela. Achei o final satisfatório, pois conclui uma ideia. Os personagens passam pela provação que lhes foi dada e o resultado disso é o que vemos.

Nota:

Avaliação: 3 de 5.

Dorama começa satisfatório, “bonitinho”. Com algumas derrapadas e um segundo protagonista mais parece um psicopata, mas as estrelas pela Shin Hye Sun são merecidas. Ela carrega o dorama nas costas.

Doramas parecidos para ver depois

Como eu disse lá em cima, Desgraça a Seu Dispor é um dorama no qual uma protagonista enfrentando uma doença terminal faz um pedido para desgraçar o mundo, mas a própria Desgraça aparece para ela e a faz retomar a esperança.

Com certeza 30, mas 17, sobre uma garota que acorda após um coma de 13 anos, que tem até os mesmíssimos problemas com ritmo e um protagonista masculino mais ou menos, mas a Shin Hye Sun para brilhar.

Se quiser ver outra “fera” como a Lee Yeon Seo, veja Tudo Bem Não Ser Normal. As duas personagens são parecidas, pois são “megeras” que na verdade foram muito feridas.

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