Resenhas de Kdrama

[Resenha] Full House: favorito das personagens de 25 e 21 chegou na Netflix, mas é bom?

Full House é um dorama antigo, clássico dos clássicos, que foi ao ar em 2004. A história fez um imenso sucesso na época, em formato de manhwa e depois foi retratada nas telinhas, até em várias tentativas de remake (sendo o da Tailândia uma das mais famosas) e, mais recentemente, mencionada pela série Vinte e Cinco, Vinte e Um. Agora, você vai poder assistir na Netflix, a partir de 20 de julho de 2022. Mas do que se trata? Vou te ajudar nessa resenha diferente.

A História: uma garota vai viajar e deixa a casa sob os cuidados de seus melhores amigos. Quando ela volta, é surpreendida: a casa foi vendida para Lee Yeong Jae, uma celebridade arrogante que vive cercada por escândalos de namoro. Para poder morar em sua própria casa, ela faz um acordo com ele e agora deve fingir que é sua esposa.

Os protagonistas: fãs da primeira geração de KPOP vão poder ver um dos maiores astros da história da música da Coreia, Rain (Por Favor Volte, Ahjussi e My Lovely Girl), no auge da juventude (hoje em dia o pessoal faz covers de Rainism). Ele contracena com a mocinha de Descendentes do Sol, a Song Hye Kyo, em um de seus papéis mais marcantes na carreira.

Rain interpreta um dos protagonistas mais machistas e cretinos que eu já vi. Ele até usa a escova de dente da menina para limpar a privada. Ô bichinho insuportável! Ele é bastante sádico e malvado. É um homem que se comporta como um molecão crescido, é mimado, birrento e imaturo. Porém, o infeliz tem muito charme mesmo. Ótimo ingrediente para doramas que começam com os protagonistas se odiando.

Já a mocinha não é tonta não! Quer dizer… é, NO MÍNIMO, questionável que ela não denuncie os amigos à polícia, ou tome qualquer outra atitude antes de aceitar fingir ser a esposa da celebridade que a trata como sua funcionária particular, mas posto isso de lado, ela não deixa barato, paga as pirraças na mesma moeda, é vingativa e rancorosa. Mesmo se tratando de uma celebridade, Han Ji Eun tem tanto nojo dele quanto ele tem dela. Então acho que o equilíbrio fica feito e torna tudo engraçado, porque vira uma briga de gato e rato. Ela também é bastante azarada e atrapalhada, muito “gente como a gente”. Só passa por situação complicada e tem amigos que era melhor chamar de inimigos.

Os clichês: Full House tem todo tipo de clichê que você pode imaginar em um dorama. Começando pela briga de gato e rato, de inimigos a amantes. Tem a mocinha pobre trabalhadora e o mocinho rico arrogante com um passado que tenta justificar por que ele é um ser humano insuportável. Tem a rival ex rica e linda no papel da estilista Kang Hye Won (Han Eun Jung, de Dream High), a sogra má, o triângulo amoroso completado por Minhyuk, um bonitão gentil que a protagonista gosta (Kim Sung Soo) e causará uma óbvia síndrome do segundo protagonista… Enfim, tudo isso com uma trilha sonora dramática e envolvente, além de um humor caprichado, um dos poucos doramas que me fizeram rir (mas eu vivia naquela época, vamos salientar).

Para mim, a cena icônica na qual Han Ji Eun vai até a casa da sogra e, como esqueceu de lhe levar um presente, decide fazer uma apresentação musical, é uma das melhores de todos os tempos. Vale muito a pena. Até hoje lembro da musiquinha dos ursos na minha cabeça.

Também tinham vááárias cenas deliciosas de relacionamento de faz de conta, com beijões, brigas, “vou embora da casa!!”, encontro na chuva, ceninhas de ciúme, ameaças, competiçãoa feminina, e muitas coisas do tipo.

Ritmo: são 16 episódios, mas nem sempre a história é fluída, por causa de situações repetitdas. Às vezes dá uma arrastada, com o tanto de clichê e vai e volta da protagonista, briguinhas, términos, etc, etc. Porém, um ponto positivo é que a história se desenvolve rápido no começo: já tem casamento, contrato, a primeira briga, o primeiro beijo (falso) e até a mocinha se dando conta de seus sentimentos já lá pela metade do dorama… Na época, marcada por MUITO melodrama carregado, Full House tinha os dois mundos: um monte de chororô por um lado, mas também uma comédia poderosa e engraçada de verdade.

A química: por incrível que pareça, o casal tem sim uma química que chega a irritar de tão “errada”. Eu achava angustiante a maneira como ela era tratada, com muita falta de respeito e gritos que dão até gatilho! Mas alguma coisa nessas farpas gerava muita tensão. Mesmo assim, confesso que esse protagonista masculino é um dos mais frustrantes da história de tão imaturo! Ainda mais nos dias de hoje, dá vontade de mandar um zap para ela assim: “sai dessa, amiga, o outro boy é muito melhor”.

Vale a pena hoje em dia? Resposta curta: sim, é um clássico que marcou muito os doramas. Porém, tem alguns pontos a serem considerados. Primeiro e mais importante: tem machismo e não é pouco não. Já avisei, ok? O protagonista é truculento e bastante irritante.

É uma série de 20 anos atrás. Dito isso, todo o resto é de 20 anos atrás. Tem jeito e cara de novela. Então, se você gosta daquela comédia romântica bem escrachada, com situações cômicas e um aspecto dramático, bem do jeitinho brasileiro, você deve adorar.

Porém, mais um aviso: desligue o cérebro e relaxe. Não fique preocupado com consistências, história e lógica. Não é sobre as formas legais de recuperar a casa, nem sobre os absurdos que ela resolve engolir para ter o mínimo e nem como é possível ainda assim se apaixonar por alguém que te maltratou tanto. Full House é uma comédia romântica, nada mais, nada a menos, com um galã bonitão totalmente errado fazendo coisas mais erradas ainda, mas que ainda assim vai te deixar de queixo caído, seja porque é inacreditável, seja porque lá no fundinho talvez você deseje que um estranho bonitão te beije na chuva de mentira só para impressionar seus inimigos. Coloque seus óculos de viagem no tempo e aproveite.

O que ver a seguir?

A sensação de 2022, Pretendente Surpresa, é um exemplo do que foi Full House na época, embora seja mais focado só na comédia e no contrato de casamento.

O dorama japones Good Morning Call, de 2016, também é sobre uma garota que, por um mal entendido, precisa morar com um rapaz frio de seu colégio, escondendo isso de todos na escola.

Gosto Pessoal é outro antiguinho dramático com a mesma proposta de relacionamento falso com convivência decorada por um mal entendido: ela pensava que ele era gay.

Nota:

Avaliação: 3 de 5.

8 comentários

  1. Quando assisti, coloquei na cabeça que era de quase 20 anos atrás na Coreia. Aí aguentava os gritos e algumas falas. Na verdade, dá pra gente ver o quanto eles evoluiram para fazer serie. Sem falar nos cenários e figurinos da época. A trilha sonora é ótima. Está na minha playlist e ouço muito.

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  2. Gostaria de saber o nome da linda música que acompanha este dorama. Me diverti muito e adorei a música

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  3. Tirando a gritaria, eu amei full house, ja assisti 5 vx , ela conseguiu mostrar um lado dele, que ele ainda nao conhecia , na realidade, ele nunca tinha se apaixonado assim, era novo pra ele ,por isso ele nao entendia… Quando ela ia embora ele sentia a sua falta, é um dorama muito engraçado, com uma trilha sonora linda!!
    amei !!!!!

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  4. Olá, Juliana. Adoro os doramas. Já assisti quase todos. Esse é uma gracinha, mas acho que é exagerado o tanto que ele grita e é grosseiro com ela. Só se for na Coréia para uma mulher aguentar tanto.

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    1. Com certeza!! Eu fiquei muuuuuito incomodada com o comportamento dele. É tudo errado nesse dorama nesse sentido. Ele não deveria nunca gritar com ela desse jeito.Em 2004 a gente não discutia tanto isso, mas mesmo assim eu assisti angustiada. Credo, né? 🙂 Ainda bem que hoje a gente consegue ver isso com muito olho crítico.

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