[Resenha] Hospital Playlist humaniza médicos, na ótica da autora de Responde

Hospital Playlist é sobre a vida de cinco médicos que eram amigos durante a faculdade, formaram uma banda e trabalham juntos no hospital. Os 12 episódios acompanham traços de suas personalidades, relacionamento e cotidiano.

Esta série fez tanto sucesso que vai ganhar uma segunda temporada em 2021. O segredo está nas mãos da autora Lee Woo Jung, responsável por grandes sucessos da série Reply (1997, 1994 e 1988) e Prison Playbook (Manual do Prisioneiro). Fãs de Reply já podem botar na lista, porque tudo aqui lembra o jeitão dela.

Logo de cara quando pensamos em séries médicas, o que imaginamos? Um monte de casos trágicos, pessoas chorando, acidentes, tensões e romance nos bastidores. Agora coloque doses homeopáticas de tudo isso embaladas por uma trilha sonora muito gostosa de ouvir, com letras que casam nos momentos corretos. Adicione como personagem amigos inseparáveis que se gostam de verdade e trabalham juntos, mas, no fim do dia, suas profissões são um ofício que faz parte de apenas uma parte de suas vidas, pois são seres humanos por trás de suas máscaras e estetoscópios e vão para o happy hour juntos falar sobre amor, passado e pacientes.

Hospital Playlist é sobre essa relação que você tem com seus amigos, na roupagem de Reply na nostalgia. A sinopse foca na formação da banda, mas, sinceramente, isso nem é tão importante assim, é só uma forma de avisá-lo que a trama não é uma série médica comum.

No começo, sem conhecer os personagens à fundo, muitas cenas parecem não ter mensagem nenhuma, simplesmente estão lá para passar o tempo – e que tempo! São praticamente 2 horas por episódio. De repente, uma cena extremamente sensível sai sem aviso com uma fala potente ou uma simples demonstração da gentileza de algum personagem. Em outro momento, um caso clínico complicado te deixa preocupado com a cena, mas pode ser resolvido em instantes.

Não tenho conhecimento da rotina de um hospital, mas o estilo “cotidiano” e sem apelação parece retratar a medicina como uma profissão não tão romantizada, no sentido de que os médicos almoçam, pensam em música, em seus relacionamentos, e vivem suas vidas diariamente, como uma rotina de trabalho normal, com durezas do cotidiano e colegas que gostamos ou temos rivalidades, amizades e crush. Tem um aspecto bastante humano nesse sentido, e acho que é isso que faz com que seja uma série tão gostável e relacionável. O outro fator é a nostalgia, mas dessa não faço parte.

Muitas trocas de diálogo fazem referência à cultura pop ou da história recente da Coreia. Por exemplo, o nome dos gêmeos, que é de figuras históricas da época Joseon. Também há referências de antigos grupos de K-pop (Zoo), outras séries nas quais os atores participaram, como Dr. Romantic, e até a participação especial de personagens de Reply, da mesma autora. Essas são algumas partes que eu consegui pegar, mas há várias cenas focadas em estilos de roupas, cabelos e objetos que, por eu não ter vivido na Coreia, nem em 1980 ou 70, eu simplesmente não peguei a referência – e é aí que a experiência poderia ser muito mais rica, se eu fosse coreana.

É como aqueles compilados dos anos 80, 90, 2000, com sandália Melissa, disquete, celular flip e cigarro de chocolate. Só quem viveu sabe. Dá muito gosto olhar essas coisas anos depois. Por isso, eu não posso nem ao menos criticar diretamente, porque eu simplesmente não entendo metade das importantes mensagens que estão ali mesmo nas cenas que aparentemente não acontece “nada”.

Mesmo sem ser tocada pela nostalgia dos anos 80, passei os 5 episódios iniciais me perguntando por que estava assistindo sem conseguir largar e a verdade é que esse é o principal aspecto viciante de Hospital Playlist: não existe uma trama fixa, então você acompanha as vidas dos personagens como se estivesse vendo um reality, então torce inicialmente por alguns deles, quer ver alguns casais e de repente está preocupado com algum paciente ou desfecho.

O elenco

Os personagens são vivos e poderiam existir de verdade. Com certeza entre eles você encontrará pelo menos um favorito que gostaria de seguir, até mesmo entre o núcleo de apoio, nos residentes. A realidade é que todos eles crescem de uma forma que ao final da série, todos têm algum aspecto que você gosta.

Jo Jung Suk (“Oh My Ghostess”, “The Nokdu Flower” e “Jealousy Incarnate”) é Lee Ik Jun, doutor em cirurgia geral bastante popular no hospital por ser acolhedor com todos. Ele é um pai solo muito amável e esforçado. O ator é extremamente carismático e basta um episódio para você comprar a história dele.

Yoon Yeon Seok (O Dong Mae de “Mr. Sunshine“, Dr. Kang Dong Joo de “Dr. Romantic” e o Bong Yi de “Reply 1994”) é Ahn Jung Won, professor doutor em cirurgia pediátrica. É um jovem rico muito gentil e que é um benfeitor anônimo de vez em quando. Seu sonho é se tornar padre, como seus irmãos.

Jung Kyung Ho (“Prison Playbook”, “Missing 9” e o ex da Seri em “Pousando no Amor“) é Kim Jun Wan, um cirurgião cardiologista ironicamente conhecido por ter um coração frio, ser metódico e insensível com seus colegas e pacientes.

Kim Dae Myung (“The Sound of Your Heart”) é Yang Suk Hyung, um ginecologista obstetra que não tem habilidades sociais, por isso foge de almoços em grupo e interações com os colegas. Suas atitudes soam um tanto atrapalhadas para novatos, mas ele tem o mais bondoso coração de todos.

Jeon Mi Do (atriz premiada de musicais) é Chae Song Hwa, uma neurocirurgiã exemplar, que é excelente em seu trabalho e dura na queda. Na vida pessoal, nem tanto. Modesta, ela usa os mesmos sapatos há mais de dez anos e sua vida amorosa acabou de sofrer um baque.

Além deles, o núcleo de apoio é recheado de bons personagens nos residentes de medicina. Gostei muito dos gêmeos (a irmã do principal do Meu País) e da Jang Gyeo-ul (Shin Hyun Bin, de “Mistress”).

Quem deve assistir?

Primeiro, o óbvio: coreanos, descendentes e todas as pessoas conectadas com a cultura coreana, porque há mesmo muita referência e saudosismo que deve tocar diretamente quem viveu essa época no país.

Por isso mesmo, recomendo para quem já gostou da série Reply, pois o clima de nostalgia e forte amizade entre os protagonistas é muito vivo. A conexão do passado, as vestimentas, celulares e outros produtos antigos, da época de estudante, estão muito presentes.

Se está atrás de um Grey’s Anatomy com romances entre os protagonistas, você pode gostar, mas a série foca muito mais na amizade do elenco, com relações incipientes e platônicas, não necessariamente entre os principais e nem sempre óbvia (não vá esperando pelo seu casal terminar junto de um jeito tradicional).

Se é do tipo que ama uma série sobre amizade verdadeira entre adultos bem diferentes entre si, com certeza vai se encontrar no grupinho.

Quem deve evitar?

Se você odeia slice of life, não chegue nem perto! Nem todas as cenas são um chamariz para outras, algumas estão mesmo só mostrando mais do elenco e dos personagens, não necessariamente trazendo uma carga profunda e fundamental para o desenvolvimento.

Se está procurando um dramalhão com histórias complexas dos pacientes, contando a história deles de forma elaborada, pode se decepcionar. Existem boas histórias aqui, mas são pinceladas pela ótica dos médicos e desaparecem assim que os pacientes levam alta, como na vida real.

Por último, se não tem paciência para 2 horas de episódios que não acontecem “nada”, vai ser difícil de completar.

Conclusão

Hospital Playlist é uma boa série, que faz o seu melhor ao mostrar seus personagens e torná-los humanos. É difícil ficar indiferente a suas personalidades e pelo menos um vai te capturar a atenção. É uma série delicada que na sua despretensão acaba encantando e envolvendo o espectador a cada episódio. Felizmente, uma segunda temporada é prevista para o ano que vem e sabemos que o ano de 2020 foi um prato cheio, infelizmente, de inspiração para séries desse tipo. Será que vão abordar o Coronavírus?

Nota: ⭐⭐⭐⭐

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