Resenhas de JDrama

[Resenha] Alice in Borderland: adaptação de mangá de sobrevivência para fãs de Battle Royale e Jogos Vorazes

Alice na Fronteira, o dorama de 8 episódios da Netflix, é uma adaptação do mangá Imawa no Kuni no Arisu (“Alice do País da Hora da Morte”, em tradução livre) sobre três amigos que acabam presos em uma Tóquio abandonada e descobrem que, para sair, devem enfrentar uma série de jogos de vida ou morte. A segunda temporada foi anunciada em dezembro de 2020.

Antes de mais nada, apesar de ser mais um desses títulos de sobrevivência (elementos de Battle Royale, Jogos Vorazes, Jogos Mortais e afins), o diferencial de Alice in Borderland é que em vez de simplesmente dar armas para os coleguinhas guerrearem, os jogos são aleatórios, podendo ser de sorte, lógica, em grupos ou de sobrevivência individual. Nem o espectador nem os personagens sabem qual vai ser o jogo da vez, e isso é bastante instigante. Muitas regras são cheias de pegadinhas e tentar desvendá-las é um dos prazeres e pontos mais acertados da série.

No material original, há muitos personagens com peculiaridades bastante convenientes no momento, também trazendo consigo uma história de fundo que traz motivações que tem potencial para emocionar (um nerd, uma garota trans, um hikikomori – pessoa que não sai do quarto -, uma policial…). Porém, como os episódios são curtos, algumas montagens desses passados são jogadas rapidamente e não dá tempo de gostar de quase ninguém o suficiente para se importar após as primeiras perdas chocantes.

Elenco

Como uma brincadeira com o nome da série, os protagonistas são “O Coelho” e “A Alice”. Ryohei Arisu (“Arisu” é a maneira que os japoneses pronunciam Alice, mas também um nome por si) foi interpretado pelo Yamazaki Kento, que já foi L, na adaptação de 2015 de Death Note. O personagem é um garoto inteligente mas visto como um fracassado, que possui um raciocínio privilegiado, (mas às vezes um pouco surreal demais para meu gosto, para falar a verdade).

Usagi Yuzuha (“Coelho”, em japonês) é interpretada por Tsuchiya Tao (que fez a Naho, de Orange – excelente história aliás – e a Misao nos filmes de Samurai X – Rurouni Kenshin). Ela é uma jovem atlética especializada em parkour (uma boa brincadeira com saltos do coelho) que tem seu maior objetivo atrelado a seu pai.

Além deles temos outros personagens interessantes, como os amigos de Arisu e uma personagem especial que gostei muito, a Hikari Kuina (interpretada pela modelo Asahina Aya, a principal de Tokyo Alice), mas que aparece lá na frente. Há também o “gato sorridente da Alice”, chamado no conto de Cheshire, e, em Alice in Borderland, é representado pelo personagem Chishiya (interpretado pelo Nijiro Murakami, o Daichi do dorama Good Morning Call).

Mangá

O mangá foi publicado por seis anos e tem mais de 80 capítulos, além de outra adaptação em anime. Após ficar no top 10 em cerca de 40 países a Netflix anunciou em 24 de dezembro de 2020 a segunda temporada. Tem material sobrando não só para a segunda, mas talvez até uma terceira ou quarto temporada.

Vale a pena?

É uma boa pedida para quem curte títulos do gênero, mas há uma ressalva que deixo destacada abaixo depois. Se você gosta de se colocar em mundos paralelos distópicos e imaginar o que você faria na situação, é bem legal, e nenhum personagem está totalmente a salvo. É “louco”, alguns acontecimentos chegam a ser tão aleatórios que surpreendem, ou são realizados de uma maneira diferente do que você poderia imaginar.

Quem não deve ver?

Se você não é familiarizado com animes e mangás, o tom extremamente caricata de alguns personagens (alguns parecem cosplayers mais ou menos saídos de qualquer Anime Friends) pode ser estranho, além das cenas de heroísmo que beiram o absurdo, pois acontecem “no último segundo” e às vezes alguns sacrifícios são feitos por pura burrice mesmo. Alguns momentos são inacreditáveis para pessoas de carne e osso, então perde um pouco do tom de realismo e perigo iminente que poderia ter. Eu me incomodei um pouco com tantas liberdades poéticas, que eu aceitaria mais no material original, em traços de desenho.

Alerta também de que é uma série para quem curte uma violência gratuita e um foco na distopia de jogos pela vida, mais do que quem espera um romance teen Jogos Vorazes, embora isso possa claramente vir a acontecer.

Eu não sabia o que esperar e reconheço que o tema não é tanto para mim, mas que tem muito material que faz pensar. Apesar de algumas cenas que te deixam “nossa, por quê?”, se você conseguir desligar um pouco, tem momentos, ideias e provas muito boas (a dos cabeças de cavalo e do ônibus foram sensacionais, para mim), só o exagero me incomoda mais. Espero que tenha mais temporadas para termos uma conclusão da história, pois não tem como não ficar curioso com o desfecho real da história. O problema é que histórias assim costumam colocar enigmas demais para o que estão dispostos a explicar com sentido. E agora? Só a segunda temporada pode responder.

Nota:

Avaliação: 3.5 de 5.

Gostou da série? Viu o material original? Achou bem adaptado ou faltou? Comente abaixo!

O que mais assistir?

Jogos que custam a vida de personagens existem aos montes no mundo dos mangás, como Kaiji (excelente anime sem adaptação live action), Battle Royale (o “pai” do Hunger Games), Liar Game, Gantz… Os três últimos têm adaptação em live action. Kakegurui também tem no Netflix e aborda uma escola na qual seus alunos comepetem em jogos de azar.

Na Netflix, o clima de “Sweet Home” pode te agradar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: