Seis doramas dublados no Netflix: quais dublagens assistir e as que podem melhorar

Dizem por aí que a dublagem brasileira é a melhor do mundo. Outros juram que o trabalho de atuação original se perde. O fato é que independentemente de qual time você faça parte, a dublagem beneficia idosos, pessoas com algum deficiência visual, não alfabetizadas ou mesmo quem simplesmente estranha o idioma diferente ou prefere passar uma roupa enquanto se distrai com uma série de fundo.

Procurando algumas séries coreanas dubladas na Netflix? Louco pra mostrar pra mãe aquele doraminha e falar que é novela? Aqui vão algumas delas e minha opinião sobre a dublagem feita, baseada em: curso de dublagem, meu registro de atriz, minha super “formação” em fã de doramas E de dublagem (risos). Ou seja: eu costumo ser bem boazinha e respeito bastante os profissionais da área. Tendo isso dito…

Extracurricular (resenha em breve)

A adaptação está sensacional. As gírias, as intenções, a malandragem. Está tudo aqui, sem tirar a urgência da série. A única coisa que achei um pouco (muito) estranho foram alguns nomes (“GÍssu” não me desceu), “TAI”, “MINUI”, mas não sei se eles tiveram alguma assessoria de professor de coreano que recomendou assim ou foi escolha do diretor mesmo – acredito que foi só instintivo. De resto está muito legal mesmo e se corrigisse isso ficaria perfeito.

Primeira Vez Amor (veja resenha)

Atores do time classe A de dubladores do Rio de Janeiro. Vozes que você escuta nos melhores filmes, o que mostra um belo respeito de escalação. A atuação está ótima, as vozes são boas, interpretação show – o casal secundário super fofinho volta depois em Holo, Meu Amor. Amei a combinação.

O problemaço aqui está nas pronúncias de absolutamente tudo: nomes de comida (TEÓQUI em vez de falar um “toboquí” para tteokbeokki – entendo que assusta mesmo esse monte de vogal junta, mas dava para ficar bom), nomes de cidades e localizações (agora sinceramente não vou lembrar o exemplo correto, mas tem váááarias vezes, mesmo problema da romanização de vogais com um som só)…

Também tem um erro gravíssimo, esse mais cultural mesmo, que foi não considerar que o “Ah” é como um apelido para os coreanos. Então tem todo tipo de gente aleatória chamando a protagonista de “Sonhá”, sendo que o nome dela é Song Yi, e o “Sonhá” deveria ser só para os íntimos.

Mesmo assim, dá pra assistir tranquilamente sem perder muito além dessas informações culturais. As vozes são uma gracinha, está bem fofinho – e eu amei mesmo a Chaeyeon dublada, ficou um encanto. Porém, se você é super fã do Jisoo, pode ser que estranhe a voz dele não ser tão grave na versão dublada – eu achei o de menos, porque o ator pegou a essência fácil dele.

O Rei Eterno (veja resenha)

A dublagem do Rei entrou depois que eu já tinha terminado, de surpresa, então eu não vi tudo, mas procurei várias cenas-chave para olhar o trabalho de cada um dos personagens. Primeira coisa: elenco TOP TIER da dublagem brasileira. Acho muito respeitoso quando isso acontece porque: significa que é um estúdio bom, que o material foi tratado com carinho, que trataram a obra com importância. E dá pra ver que foi mesmo.

Por mais estranho que seja ver o Lee Min Ho dublado, acho que se você nunca viu nenhum trabalho do ator, até dá para achar que combinou a voz dele. Se não me engano, é a voz do Hyoga de Cisne, gente. Tem todo um charme nobre nele, eu gostei e esse dublador é ma-ra-vi-lho-so em tudo que faz. Por outro lado, ele parece ser bem mais velho do que o ator, então causa um estranhamento.

A adaptação me pareceu bem decente, a interpretação também não tem o que falar, mas o que está complicadíssimo aqui é a escalação do Jo Eun-seob (Woo Do Hwan). O dublador não tem culpa, ele interpreta bem (ele também é um dos melhores do mercado – e deve ter ficado feliz da vida por ter o dobro de anéis para gravar) – , mas a voz não combinou. Por causa da personalidade, o timbre precisava ser mais denso e dar conta dos dois lados conflitantes de dois personagens: o lado guarda-costas e o palhação. Aqui, ele dá mais conta do palhação (E eu suspeito que tenha sido por isso que foi escalado), mas causa uma senhora estranheza quando estamos falando do guarda-costas. Acho que dá para ver dublado, sim, mas o personagem do Woo Do Hwan não é o mesmo. Todo o charme e a brincadeira pronta do choque dos dois mundos se perde. A culpa não é do dublador, que faz o seu melhor com seu material, mas não ornou muito, na minha opinião.

Love Alarm (veja resenha)

Dublado, Love Alarm chega até a ser mais gostoso de assistir. Fica mais leve, mais próximo da gente, e dá até um carinho maior pelos personagens – e olha que isso é um grande feito, já que os protagonistas desse dorama se esforçam pra gente pegar raiva. Acho que só tem ganhos em ver dublado, até a trama fica um pouco mais fluída. O elenco é muito bom e até os oppas irritantes ficam mais aceitáveis. Sou uma grande fã da atriz Kim So Hyun e achei que a voz dela combinou demais.

Holo, Meu Amor (veja primeiras impressões)

A dublagem está muito boa em tudo! Elenco de primeira, adaptação e tradução no ponto. Como é um tema “chatinho” (inteligência artificial, hologramas, programação), ter dublagem ajuda muito a digerir o conteúdo e entender tudo que está acontecendo. A protagonista dublada tem um registro muito parecido da original e gera empatia. O protagonista também faz um excelente trabalho tanto como Holo como seu criador. Eu não mudaria nada, acho que só teve UMA pessoa, uma pontinha, que falou um nome diferente de todo mundo, mas em geral foi muito bem feito. Alguns nomes ficaram diferentes, por exemplo “Baek” ficou ‘BA-É-K’, porém imagino até que tenha sido intencional, afinal, o gerente “BÉQUE” soaria engraçado, não?

Os nomes deram sorte também porque Nan Do fica até parecido com um apelido nosso carinhoso, Nando. Achei fofíssimo. E “Holo” ser “Olo”, mesmo som de “Holograma” também foi perfeito.

Mr. Sunshine – Um Raio de Sol (veja resenha)

Meus pais assistiram dublado, mas olha… Difícil acostumar. Existe uma perda grande em interpretação aqui, porque alguns personagens do enorme elenco parecem lendo alguns trechos. Eu não gostei da voz da Aeshin, acho que ela ficou um pouco mais doce do que deveria, mas é uma questão pessoal. O dorama já é lento e pesadíssimo, mas com a dublagem, chega a dar um soninho. Não parece muito orgânico, mas talvez seja porque é de época, então não tem muito como adaptar. No entanto, por ser muito pesado mesmo de entender, a dublagem vira uma necessidade mesmo.

E você, gostou de algum dorama dublado? Deixe seu comentário, mas, por favor, seja respeitoso ao trabalho dos atores. A ideia desse post foi apenas dar uma orientação para que cada vez mais esse grande desafio de dublar o idioma coreano fique mais fácil.

P.S.: Dublem os doramas chineses, peço encarecidamente. Eu tenho uma barreira gigante com o idioma e veria TANTOS mais se fosse dublado… Meu sonho? Nossa, por favor.

P.S.2: Meu DRT está firme e forte, se você é um diretor me odiando nesse momento e quiser me chamar para uma pontinha para ser queimada na internet e um dia ser criticada com minhas próprias palavras, faço o teste com prazer. Seria uma honra. 🙂 (Vai que cola?)

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