“Followers” é vibrante, empoderado e tem uma mensagem para a geração do cancelamento

“Seguidores” é uma série japonesa no Netflix de 9 episódios de 40 minutos cada. O dorama aborda as consequências da fama, o mundo dos influenciadores digitais, a ascensão de celebridades saídas do nada por causa das redes socais, e a cultura do cancelamento, que provoca uma queda ainda mais rápida.

A trama começa no encontro de duas personagens centrais: do lado glamouroso, Limi Nara (Miki Nakatani, do filme premiado “Memórias de Matsuko”), uma poderosa fotógrafa que sonha em ter um filho, mas sofreu um aborto e, como sempre foi muito dedicada a seu trabalho, nunca priorizou esse lado da vida. Na outra ponta, Natsume Hyakuta (Elaiza Ikeda, a Kirari Momobami, de “Kakeguri”), uma atriz iniciante, revoltada e distímica, que odeia praticamente tudo e tem um grande azar de só conseguir pontas insignificantes e de personagens que morrem. A vida de Natsume muda quando uma foto sua é postada no instagram da famosa fotógrafa e ela é rapidamente içada para o mundo das modelos influenciadoras digitais.

A partir daí, a série mostra a vida transformada de uma pessoa comum, escolhida pela aleatoriedade, e escancara a banalidade do mundo dos influenciadores e a efemeridade da admiração de seguidores que nunca viram na vida. De ignorada e humilhada, Natsu vira um sucesso instantâneo, mas sua fama também anda por uma corda bamba, bem como sua relação com seus amigos próximos, especialmente sua melhor amiga, Sunny (Kom I, vocalista do “Suiyobi no Campanella” e influenciadora), que é apaixonada por ela, mas tem medo de revelar.

Toda vez que eu ganhava menos likes ou perdia seguidores, meu valor diminuía cada vez mais

Em paralelo, temos história de outras mulheres envolvidas com o mundo da fama: além de Limi, a fotógrafa que sonha em ter um filho, temos Akane (Yuka Itaya), a produtora que ajudou a criar uma grande estrela do país, mas que agora sofre em queda livre de popularidade com o avanço de sua idade, e Eriko (Mari Natsuki) uma empresária excêntrica que procura em um rapaz um pouco mais velho do que seu filho uma forma de viver o amor em meio uma notícia que a deixa abalada.

Por que você ignora quem te ama e dá ouvidos para essas pessoas que nem te conhecem?

Na parte técnica, a trilha sonora é bem chiclete e todos os cenários são esteticamente agradáveis – as casas parecem um tipo de motel excêntrico de tão coloridas, as pessoas combinam as cores…. Tudo para representar um universo que é sobre parecer ser, e como as pessoas se esforçam para serem visualmente agradáveis e, ao mesmo tempo, em sua busca para se destacarem sendo tão diferentonas que acabam se tornando todas “excentricamente iguais”.

Conferi alguns trechos da versão dublada e está bem bacana também, com atores de ponta do mundo da dublagem. As pronúncias estão esforçadas, deixaram até a menção ao Monsta X na adaptação, não apagando traços de cultura que são saborosos na série. Vale considerar ver dublado.

Falando em cultura, a série traz um prato cheio de cenários de Tóquio vistos de dentro, por quem já visitou ou mora lá, como o Kawaii Monster Cafe, a Center Gai em Shibuya, a Torre de Tóquio. No aspecto fama, há menções a uma das maiores influenciadoras do Japão, cujo nome é um pouco engraçado aqui no Brasil, mas ela é uma super modelo lá fora: Rola (Eri Sato). Além disso, quem é das antigas dos fãs de anime e Jrock vai pirar com a participação do Miyavi, interpretando ele mesmo em uma cena muito sensual.

Por dentro do Kawaii Monster Cafe, em Harajuku

No fim, além da experiência visual chamativa, “Seguidores” tem uma mensagem muito importante da diretora Mika Ninagawa sobre o papel da mulher na sociedade, as escolhas que ela deve fazer, os julgamentos que vai sofrer independentemente de qual seja, e como o sucesso verdadeiro não é obtido por sorte, mas por muita insistência e perserverança, seguindo o próprio caminho e deixando que os outros falem – porque sempre vão falar, não importa o que você faça.

O que ver a seguir? Embora a experiência visual seja bem única, das séries asiáticas que já vi, acredito que um pouco desse ar “underdog” batalhador de excluídos da sociedade você pode captar em “Itaewon Class” (2020), também no Netflix e com resenha aqui.

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