[Resenha] The Stolen Years (2013): um filme sobre amnésia e lágrimas

The Stolen Years (2013) é um filme chinês sobre uma mulher que acorda com amnésia após um acidente. Sua última memória é sua feliz lua de mel, mas ao despertar no hospital, ela descobre que sua vida virou de cabeça para baixo nos últimos 5 anos, e seu casamento acabou. A partir de então, ela tenta descobrir o que deu errado e reconquistar os anos perdidos, precisando da ajuda do ex-marido para entender quem se tornou.

Disponível no Netflix, a direção é da Barbara Wong (Wong Chun-Chun, que também é atriz). Esse filme, de 1h51 de duração, pode ser dividido na metade e facilmente poderia ser composto de duas histórias diferentes. O primeiro arco é a sinopse acima, o segundo, puro spoiler. Por isso, vou separar os dois, mas não vou citar abertamente o que acontece, apenas impressões em ambos.

PARTE 1

Bai Bai He e Joseph Chang fazem um casal muito bonito e cheio de química

He Mann (Bai Bai He) é uma jovem apaixonada por seu marido, Xie Yu (Joseph Chang) – e que marido! Desde o começo, é possível perceber que o casal vive em harmonia, é bastante brincalhão, mas tem um comportamento um tanto exigente um com o outro.

Bai Bai He e Joseph Chang têm muita química. Só de ver uma única foto dos dois juntos já dá vontade de assistir ao dorama e isso faz todo sentido. Os atores funcionam muito bem juntos, apesar de precisar de reparos, o amor deles é crível, mesmo nos primeiros minutos de filme.

A forma como a narrativa começa é muito interessante, pois você é convidado a ver a última memória que a protagonista possui, e fica no escuro em relação a todo o restante assim como ela. É por esse motivo que a história seduz em pouco tempo, aguçando a curiosidade do espectador, que não ganha muitas pistas sobre a separação, assim como a protagonista.

Considero que a primeira hora do filme é satisfatória. A recuperação das memórias é uma aventura saborosa de assistir. O filme também traz uma sensação reflexiva de conversa com o passado: seu “eu” do passado ficaria satisfeito com quem você se tornou? Há a percepção de que cinco anos trazem mudanças muito grandes para sua própria vida e no mundo (como as tecnologias), a ponto de você não conseguir reconhecer-se, nem adaptar-se facilmente ao resultado de escolhas que você nem sabe por que fez.

Por causa do segundo arco, tudo isso, que poderia ter sido desenvolvido com a calma e profundidade que merecem, foi um pouco apressado, para inserir, perto dos 40 minutos finais, uma dose extra de carga dramática que o filme não precisava.

PARTE 2

A segunda parte do filme começa quando há uma notícia inesperada, mas com um teor que os fãs de dorama conhecem bem. A princípio achei coerente, já que trata-se de uma consequência.

Fui pega de surpresa por esse caminho dramático, mas aceitei mergulhar no drama mais pesado, pois vi semelhanças tristes, porém positivas, com o filme americano “Still Alice” (Para Sempre Alice, 2014) e chorei o mesmo tanto. Aos poucos a primeira parte vai sendo esquecida, ironicamente, e nem parece que você está vendo o mesmo filme.

Alerta: esta imagem é uma ilusão

A história toma um rumo completamente distinto de sua primeira hora, tonando-se carregada, e, após um determinado momento, até mesmo exagerada, fazendo com que o que era para ser triste acabe trazendo um estranhamento e até uma certa repulsa. Se você assistiu Koizora, provavelmente vai entender o sentimento – para o bem e para o mal.

Se o filme acabasse nessa primeira notícia, eu diria que estaria tudo bem, faria parte da jornada. Seria triste, mas combinaria bem com a proposta, fecharia a história e passaria uma mensagem sobre o amor. O problema, ao meu ver, é que ele vai acrescentando mais e mais dramas e você tem a sensação de que parou no filme errado, não foi essa história que você escolheu assistir.

A primeira parte é um drama romântico. A segunda entra na categoria da tragédia. É uma transição muito brusca, com o objetivo de fazer chorar a qualquer custo. A direção escolhe todos os elementos clichês possíveis para isso, com direito a música com letra e melodia tristes cantada no final. Acaba sendo muita informação para ser digerida e até desenvolvida, como se fosse um loop de finais ruins de um jogo de videogame (uma sequência de bad endings violentos de uma Visual Novel).

Os personagens secundários vem para ocupar um espaço precioso que poderia ter sido feito de ponte para este segundo momento, mas, pelo contrário, acabam vivendo uma das cenas mais piegas do filme, se removidos, não fariam a menor diferença. Com exceção da namorada (Cristine Fang) e o amigo machista.

Quando eles saem de cena, a história volta a ter o foco necessário. Por meio de recursos exagerados, a mensagem sobre o que é o amor de verdade é passada com sucesso, traduzida em uma frase muito bonita dita nessa segunda parte: “Mais do que uma esposa e amiga, ela é minha companheira. E juntos podemos enfrentar qualquer coisa”.

Conclusão

Um casalzão desses, bicho!

Ainda com tudo isso, a primeira parte do filme é interessante demais para ser deixada para trás. Não me arrependo de ter assistido. Na segunda parte, apesar das cenas exageradas, há uma mensagem muito forte sobre o que significa amar alguém de verdade. Apenas acho que isso poderia ter sido passado só com a primeira parte do segundo arco. Infelizmente, a direção força a mão e a mensagem acaba com alguns ruídos, que tentam ser domados pela boa atuação dos protagonistas.

Acredito que fãs de produções trágicas (como nos doramas japonesas Akai Ito e Koizora) vão se identificar e incomodar-se menos, mas se você é apegado a verossimilhança e tem um certo limite para o drama, é provável que acabe concordando comigo e gostando mais da primeira parte ou preferindo simplesmente não assistir.

The Stolen Years merece que você assista e tire a própria conclusão: você é alguém que prefere a primeira ou a segunda parte?

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